sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Não surgirá um Messias

É ano de eleição e, como todos (poucos) que utilizam aqueles parcos quilos de massa encefálica, pus-me a refletir sobre que resultado esta nova fanfarronice de nossa suposta democracia poderia nos trazer num futuro próximo e cheguei à conclusão: não haverá um Messias. Desistam.

Como participantes de um sistema republicano, em que se não se elegem propostas, mas uma imagem, um “pacote”, por assim dizer, os brasileiros tendem a se identificar com os candidatos, assim como numa idolatria. Os requintes de heroísmo nas campanhas são sensacionais e o falatório quixotesco é digno de riso. Todavia, vislumbrar os candidatos como paladinos talvez seja um dos maiores erros dos brasileiros em geral. Creio que, ao se depositar as esperanças em um candidato, o brasileiro torce por si mesmo. Explico-me.

O Brasil pode ser grosseiramente dividido em três camadas:
1- A que não compreende e não tem vontade de resolver (não o verbo “mudar”, cujo toque de midas eleitoral é algo surpreendente), chamemo-la de “massa”;
2 – A que compreende alguma coisa e quer resolver, mas que não tem dinheiro para fazer coisa alguma, chamemos de “intelectuais”.
3 – A terceira, que possui o dinheiro e não quer largá-lo de maneira alguma, pouco importando a capacidade de compreensão de seus participantes, chamemos de “ricos”.

Partindo da premissa que não existem exceções a esta regra, vislumbra-se uma verdadeira “sinuca de bico”. A massa tem o numerário, a força humana, mas precisa de alguém que a guie. Os intelectuais, que possuem inteligência para tanto, não possuem os meios. Quem dispõe dos meios não quer dividir sua grande fatia do bolo. E é aí que reside o problema.

Apenas a união destes três fatores poderia levar a um governo consentâneo com os anseios individuais homogêneos por uma vida digna. Enquanto houver uma má distribuição dos pesos na balança (força, inteligência e dinheiro), o Brasil está fadado ao fracasso, ou ao “será” (país do futuro, blábláblá). Esta união, contudo, deve ser feita naturalmente, sem forçar; é a tão sonhada “distribuição de renda”, que prefiro denominar de “equilíbrio”. Sem o equilíbrio, haverá inexoravelmente um lado mais favorecido que outro.

A propaganda eleitoral, como já dito, traz os candidatos como futuros messias. O erro é cair na lábia do meio-dia. Não, eles não são. São apenas pesos a mais para o complicado equilíbrio de nossa balança. Não há nenhum que anseie atingir o poder que possua as três características para exercer um papel satisfatório. Por ser reflexo de apenas uma das parcelas da população, apenas o lado para o qual a balança pender é que será favorecido. Claro, com algumas migalhas para o outro lado, pra que o cão não morda a perna do dono.

Analisando friamente, o ideal (hahaha) seria que ninguém fosse votado até o surgimento de alguém que reúna as três características. No entanto, isto nunca irá ocorrer, porque o brasileiro, ao invés de querer uma divisão igualitária, parece que aprimorou o ínsito desejo humano de auto-preservação e egoísmo, querendo tudo para si da maneira mais rápida e indolor possível, ainda que às expensas de todos os outros. E, por conseguinte, compreende-se o porquê de o brasileiro idolatrar charlatões corruptos: torce por si mesmo.
Esqueçam, nada vai mudar porque o que está posto é exatamente o pretendido. E tudo continuará como “dantes no quartel de Abrantes”.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Cochise

Inspirado por fatos ocorridos ultimamente e por uma música do Audioslave, cujo nome é “Cochise”.

Existe uma linha tênue entre o desabafo e o desaforo. Ambos possuem a mesma finalidade, mas as causas e os sentimentos que os movem são completamente diferentes. Enquanto o primeiro é um pedido de ajuda declarado, o segundo é um grito de socorro abafado. Explica-se.

Quando uma pessoa procura alguém para conversar, o faz com o intuito de retirar o “encosto” que possui de dentro de si, ou seja, jogar para fora todas as lamúrias, como se pudesse, ao menos temporariamente, fugir delas e observá-las como um terceiro imparcial, assim como o enxadrista que analisa uma partida de xadrez de outros dois jogadores que não ele. Como já dito em outro texto, encarar o problema por um prisma externo é mais cômodo e racional, ajudando em sua solução. Portanto, ao desabafar, o indivíduo retira de si o problema, julga-o e depois o traz de volta para extrair a melhor experiência possível em sua resolução.

Já o desaforado é aquele cujos problemas o vêm consumido paulatinamente. É triste ver pessoas que vivem dando desaforos a esmo, sem alvo qualquer, qual metralhadora em efeito mangueira. O maldoso, grosso, mal-educado e, por vezes, “mal-comida”, está na verdade gritando por socorro. O que não significa, contudo, que tenhamos que ajudar tal pessoa. E também não implica dizer que todo desaforo é um grito de alerta; muitos o fazem por puro sadismo. Mas deve-se analisar a “patada”, o desaforo, com cautela, sob pena de cometermos injustiças com quem, em verdade, apenas não soube se controlar.

O difícil, todavia, é agüentar ambas as situações. Auxílio nem sempre é fácil de dar. Na primeira hipótese, o ombro amigo, não dá muito trabalho, apenas tempo e paciência. Já a outra requer uma altíssima dose de tolerância, aliada a companheirismo, sem olvidar da paciência. Nem sempre é possível. Dos testes que podem existir pra qualquer relacionamento, lidar com o desaforo é um de nível difícil.

Nem sempre as pessoas são bem-sucedidas no teste e acabam podando o rosal das amizades. A culpa, no entanto, não é da parte que não soube lidar; muito menos da pessoa que possui um caos dentro de si e também não soube se controlar. Muitas vezes não há culpados. A própria busca incessante de bodes expiatórios é uma grande perda de tempo, porque em relacionamentos não existem culpados, existem divergências e incompatibilidades.

Se há uma intolerância em determinado comportamento, existe, por fim, uma incompatibilidade insanável, que ocasionará ao final na perda da relação. Se a rusga gerada pelo desaforo é superada, a relação arraiga-se cada vez mais, tornando-se inabalável.

Se se perde uma amizade por um desaforo, ambas as partes devem repensar suas atitudes: a desaforada deve cuidar do controle emocional e saber pedir ajuda; o intolerante deve aprender a ouvir os gritos da alma e ser menos egoísta.

Portanto, se der para “agüentar o tranco” – “Go on and save yourself, and take it on me”.

No entanto, se a incompatibilidade é insolúvel: “Então não me conte seus problemaaaas...”

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Uma piada de mau gosto

A Constituição Brasileira de 1988, promulgada depois de mais de duas décadas de uma era repleta de trevas, foi o resultado dos anseios, do clamor, de uma população ansiosa por liberdade e justiça, sem prejuízo de outros valores não menos importantes que compuseram o texto de nossa Carta Magna. Nesta toada, inúmeros direitos políticos foram erigidos no bojo da Constituição, dentre eles, a volta ao sufrágio universal e obrigatório.
A obrigatoriedade, contudo, ainda é passível de polêmica. Antes de tecer comentários sobre a imposição de se votar, deve-se fazer um breve desvio da linha de pensamento.

O direito ao voto, como se sabe, desdobra-se em duas vertentes: A UM, ele é um direito, pois todo cidadão (e por este, entenda-se, aquele que possui título de eleitor, não o possuidor de certidão de nascimento como, erronaemente, afirma a propaganda) possui direito de votar e ser votado, A DOIS, ele é uma obrigação, devendo o indivíduo cumprir com seu dever cívico de escolher seus governantes.
A uma análise fria, parece que o resguardo ao direito ao voto foi uma reação à negligência deste direito em momentos ditatoriais. É uma reação mais que natural, pois o ser humano reage de maneira diametralmente oposta quando livre de situações extremas. Como exemplo, podemos vislumbrar o crescimento gradativo da liberdade sexual e intelectual, culminando com a revolução cultural do fim dos anos 60 como réplica ao sofrimento da Segunda Guerra Mundial.
Sem grandes divagações, volta-se ao questionamento principal: "Por que somos obrigados a votar?". Parece um contra-senso:em toda lógica jurídica nacional não há como se impor o exercício de um direito, uma faculdade. A elevação demasiada dos direitos políticos a um grau de obrigação parece, em verdade, anti-democrático. Explica-se.
O escrutínio tem candidatos eleitos pelos partidos políticos e, de acordo com a nova legislação, é sabido que a campanha eleitoral só é viável quando tal partido possui representação no Congresso Nacional. Ou seja, é um engodo acreditar que exista candidatura com reais chances de ganho de meros desconhecidos. Sendo assim, apenas os candidatos escolhidos por uma pequena cúpula podem ser eleitos. As opções "democráticas" caem de mais de 100 milhões para alguns milhares vinculados aos partidos e com força dentro destas estruturas para ter suas candidaturas apoiadas. Por isso, questiona-se: alguém ser obrigado a escolher dentre algumas míseras opções é um instituto realmente democrático? Crê-se que não.
Aliás, o direito à escolha é uma verdadeira piada no Brasil. Não há possibilidade de decisão pelo cidadão de coisa alguma. Nossas "modernas" eleições são apenas a ponta do iceberg, uma vez que a maioria da população não possui direito a qualquer escolha. Tomando como exemplo, vê-se a escolha mercadológica: os indivíduos de classe D e E estão, em geral, adstritos às pífias possibilidades que o mercado dá, sendo tais empregos relegados aos imigrantes ilegais em países desenvolvidos. E a escolha inexiste por razões óbvias: o Brasil não valoriza a educação, mas sim iniciativas preguiçosas e populistas.
A faculdade de votar não irá resolver os problemas que existem neste país. Para resolvê-los, muito mais que uma reforma constitucional é necessária. Imperioso é sair da inércia e lutar por um país mais justo e, acima de tudo, livre. O cidadão deve ter o direito à escolha: de religião, profissão, liberdade sexual, dentre outras. Inclusive a decisão de não fazer nada e não ser punido por isso. Comparecer ao escrutínio deve ser uma atividade volitiva, isto é, que emane das nossas mais íntimas convicções, não porque um candidato deu-lhe uma cesta básica, um salário mínimo ou uma bolsa-esmola. Impressiona quão baixo é o valor do futuro de uma pessoa.
Conclui-se, na verdade, com uma indagação: será que o voto como uma obrigatoriedade surgiu de nossas convicções mais íntimas, como deveria ser, ou foi umposto para que candidatos com bons publicitários e propostas vazias e inconscientes vencessem as eleições? Não acho que o brasileiro, por ser normalmente inerte e pusilânime, tenha tido a vontade de votar tão grande ao ponto de se impor tal fardo. Parece-me uma verdadeira piada de mau gosto.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"Desconsciente coletivo"

Desconsciente coletivo


Andei um tempo pensando sobre como alguns grupos não conseguem emitir opiniões próprias sobre inúmeros assuntos. Sem querer entrar no mérito da discussão do que seria opinião, partamos da premissa que seja um juízo de valor após uma breve análise sobre determinado tema. De resto, se não houver reflexão, não é opinião, é um palpite, uma impressão.

Pois bem. Muitas vezes eu presto atenção em determinados comportamentos de algumas pessoas que denotam algumas opiniões diferenciadas. Por exemplo, e sejamos bem simplórios: pessoas que gostam de pagode, sem escutar, não gostam de rock e vice-versa. Não há coisa mais idiota que isto, mas acontece todos os dias. Poder-se-ia afirmar: “é questão de gosto”. Tudo bem, compreende-se. Ocorre que a mácula sobre a interpretação que se tem do outro pode se espalhar para além de seu gosto musical. A divergência de interesses auditivos se torna uma rusga, tachando-se comportamentos e criando nichos, guetos, totalmente doentios para a convivência. Tudo isso porque as músicas e festas que se freqüentam são diferenciadas.

Este exemplo é simples e, com a maturidade, vai se atenuando. Porém outras situações piores podem surgir. Por exemplo: em um determinado grupo social, as pessoas se relacionam entre si, como haveria de ser. Todavia, um desentendimento surge entre dois indivíduos e, de repente, todos os indivíduos vinculados a cada um dos “partidos” simplesmente deixa de se comunicar com o representante do outro, ainda que nada tenha a ver com o assunto. Este exemplo acontece sempre, não importa a idade, e é verdadeiramente patético.

É óbvio que existem pessoas que exercem influência em nossas opiniões, mas daí entregar a uma pessoa sua liberdade de pensamento? Essa confiança cega na opinião alheia pode gerar inúmeros problemas, e hoje os denominamos de preconceitos.

Nada disso é grande novidade. A criação dos preconceitos parte, muitas vezes, da incapacidade ou impossibilidade, seja ela individual, seja ela conjuntural, de se pensar. Alguns acham simplesmente mais fácil incorporar opiniões alheias sobre determinado assunto. Outros, devido a situações de penúria (é só se lembrar dos alemães na década de 30 do século passado) não conseguem criar seu próprio juízo de valor. Venhamos e convenhamos, é difícil fazê-lo com fome!

Sem querer entrar no mérito de outra discussão, creio que o preconceito vem da entrega de um dos mais importantes direitos que existem: a liberdade de pensamento. O preconceito é, por conseguinte, a escravidão da mente. Quando alguém carrega em sua mente uma opinião de outra pessoa sem ao menos colocá-la sob seu crivo, esta pessoa é escrava mental de outrem. E, quanto mais escravos mentais determinada pessoa possui, mais “influente” ela é.

Não se afirma que todos devem ter opiniões divergentes. Desta maneira sair-se-ia de nada a lugar algum. O que deveria ocorrer é a absorção de uma tese, produção de um antítese para se atingir uma síntese. Quem faz isto hoje? Quase ninguém. Numa situação como esta, o campo é fértil para o surgimento de lideranças. E, nesta conjuntura, talvez seja mais interessante rezar para que a liderança esteja de boa-fé que esperar que as pessoas deixem de ser preguiçosas e comecem a pensar, porque, meu amigo, tá difícil....

terça-feira, 29 de julho de 2008

....

Sou totalmente contra "postar" coisas dos outros....mas não tenho muito o que dizer.


Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

W.H. Auden

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Shhhh!

Certa vez eu li duas idéias que achei muito interessante e vou utilizá-las para tecer alguns comentários sobre “a verdade”.

Uma delas foi de Douglas Adams, autor do Guia do Mochileiro das Galáxias – Restaurante no fim do Universo, que dizia:

“O povo Belcerebon causava um grande ressentimento e insegurança entre as raças vizinhas por ser uma das civilizações mais desenvolvidas, iluminadas, e acima de tudo uma das mais quietas da Galáxia. Como punição para tal comportamento, que foi considerado arrogante e provocativo, um Tribunal Galáctico impôs a eles o mais cruel dentre os males sociais, a telepatia.”

O outro comentário eu não sei quem é o autor, vi num subnick de msn, dizia:

“Quando você mente ou omite você viola o direito de outra pessoa conhecer a verdade”

Inicialmente, gostaria de dizer que não concordo com este último comentário. Na realidade, creio que saber a hora de falar a verdade, a de mentir e a de omitir é uma arte que a todos deveria ser ensinada, pois muitos conflitos sociais seriam evitados. O que ocorre é que as pessoas não são iniciadas desta arte.

Imagine-se uma sociedade em que todos sabem o que todo mundo pensa, assim como o exemplo citado do povo de Belcerebron? A conseqüência no próprio livro foi desastrosa. De acordo com o autor, as pessoas gritavam o tempo inteiro sobre coisas idiotas para não ter que escutar a incessante verdade. Então, falar a verdade o tempo inteiro não é algo saudável, eu diria.

Não acredito também que as pessoas têm o direito de saber a verdade sobre tudo. Não estou fazendo apologia ao engodo, mas há situações em que é muito melhor dizer “Não deu certo” que um “você ficou gorda” ou “você prefere o futebol que a mim”. Dói menos pra quem ouve e pra quem diz.

As pessoas só devem ter o direito de ouvir a verdade quando sabê-la for, de algum modo, útil para elas. Aferir esta utilidade é que são elas...
1 – Muitas vezes as pessoas não querem escutar a verdade, ainda que seja a pergunta direta. Exemplo: Todo mundo dá bom dia ao vizinho, embora você queira matá-lo pelo barulho do dia anterior.
2 – Outras vezes dizer a verdade só vai magoar. Concordo que às vezes a verdade é dura e tem que ser dita, mas tudo tem hora. Dizer a verdade quando alguém está em crise e impossibilitada momentaneamente de sair dela é puro sadismo.
3 – Por vezes a pergunta é pura mendicância afetiva e, em que pese possa não ser mentira o que se diga, é tão artificial e não espontâneo que parece lorota. Exemplo: “Eu me sinto tão feia e rejeitada, eu sou bonita?” “É claro que é....tsc tsc”

Não creio que seja condenável a pessoa que diz a verdade espontaneamente, bruscamente, sem intenção de magoar. Execrável é o mau uso da verdade. Muitas vezes as pessoas a utilizam por pura maldade, quando omitir ou até mentir é melhor.

Defendo o poder da omissão; o poder do não dizer. A verdade só deve ser solta para o mundo quando estritamente necessária. Invertamos a ordem, ao invés de “a verdade os libertará” pensemos “eu libertarei a verdade”.

E quando libertá-la? Quando sua liberdade trouxer efeitos práticos satisfatórios. Quando maquiá-la através de mentiras? Somente e, digo, somente, quando a pessoa quiser ouvir a mentira. E quando omiti-la? Nos demais casos.

A pessoa que age assim é extremamente mais satisfeita consigo mesma. Existe uma lenda que todos a conhecem, talvez de outra maneira, que é uma divindade hindu chamada Ganesha. Ganesha, se não me engano, é um elefante e, como todo bom elefante possui incomensuráveis orelhas assim como as minhas. E uma boca pequena para o seu enorme tamanho de paquiderme. Por quê? Simplesmente porque seria muito mais interessante para as pessoas se elas falassem menos e prestassem mais atenção ao seu redor. Lembremos do exemplo do povo de Belcerebron, que era muito feliz e iluminado.

Na linha de Lao-Tsé, empurrar ou puxar com as mãos um carro em movimento é inútil; entrar nele te leva a algum lugar. O mundo tem seu fluxo; soltar a verdade quando ela é exigida do mundo é manter o carro em movimento. Liberá-la ou escondê-la no momento em que ela é exigida é como fazer morrer o carro.

Ouçam o que o mundo quer saber que saberá você também o que quer e que estas insuportáveis e desnecessárias vozes ocultam.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

"Love is in the air..."

Feliz dia dos namorados!

Achei interessante postar hoje, vez que, em 6 anos, esse é o primeiro dia dos namorados que eu não comemoro.

Antes de mais nada, gostaria de expressar minha opinião como “solteiro” que não há data que teve sua gênese mais comercial que esta. É uma época péssima para o comércio, devido a total ausência de datas comemorativas, então deslocou-se a comemoração do festejado dia de São Valentim, em fevereiro, para junho. Não questiono a ocasião, só a data que ficou muito artificial.

“Por que é dia dos namorados? Por que é.”

No entanto, não quero discutir se é a data boa para isso ou não. Eu gostaria de entender como as mesmas pessoas, em situações totalmente antagônicas, dão importância diferenciada à mesma data. Quando se está solteiro, muitas pessoas dizem que a data não tem importância, que ela é comercial (reitera-se, não a acho comercial, acho só o período meio nada a ver) enfim, “abaixo-ao-dia-dos-namorados-eu-sou-solteiro-auto-suficiente-e-muito-feliz-e-vivo-na-gandaia-e-me-divirto-sozinho.

Já os enamorados crêem que a data é linda maravilhosa, que o amor é lindo, tudo está as mil maravilhas e que essa alegria é eterna. Ah, o amor é cego, já dizia Shakespeare. E pensam, os apaixonados, que bobo é aquele que não está e que os solteiros que não têm um amor são coitadinhos, dignos de pena.... “Oh, coitadinho, está sozinho!”

Ainda há uma terceira espécie: aquele que o relacionamento vai mal das pernas. Enquanto o primeiro é indiferente ao dia dos namorados, o segundo mergulha de cabeça na comemoração, este terceiro vê a data como um tormento. “Vixe, tenho que comprar presente, é?” Quer este que a data passe logo, para que um dia, longínquo, quando deixar este de ser covarde, termine o relacionamento.

Existem outras espécies, mas as que mais me atenho são estas. Fizeram-me pensar, principalmente porque já passei pelas três situações. O que faz então uma pessoa sentir estes sentimentos? Creio que seja, no fundo, a necessidade de ser amado inerente de todo ser humano. Todos necessitam ser amados, queridos, desejados.

A demonstração de indiferença é na verdade uma negação da sensação de rejeição. Por isso o solteiro convicto busca um pouquinho de amor em cada lábio que beija, e cada corpo é uma pequena cópia, uma pílula de ecstasy, que lhe dá satisfação momentânea, mas que no fundo só te enganou. Engana-se aquele que fundamenta sua vida na incessante busca de bonecas infláveis interativas, em que pese um pouquinho de “sacanagem” seja bastante interessante de tempos em tempos.

O cego é o que é digno de pena, pois ele se afunda num abismo cada vez maior. A tendência é que aquilo um dia acabe. A chance de durar pra sempre é raríssima, todo mundo sabe disso. É óbvio que vale a pena tentar, mas sentir dó dos outros porque eles não se chafurdam no charco da paixão com você? Acho que mais que cego, a paixão, não o amor - porque este é lúcido-, sofreu uma lobotomia digna de atendentes de telemarketing. E jogar a corda pra retirar a outra pessoa lá do poço é tarefa árdua, creio que saibam.
O terceiro é um coitadinho também. Sair de uma situação dessas requer coragem, é verdade, mas, acima de tudo, requer lucidez. Não entendo como nós seres humanos somos capazes de continuar gostando de quem nos faz mal. É uma tendência masoquista inegável e inexplicável. Dou aos parabéns a quem consegue sair e tenho pena daqueles que estão nessa situação; tento sempre dar cordas para saírem do poço, uma vez que estão sozinhos e presos lá dentro.

É natural que todos já tenham passado por isso. Quem ler isto, espero que reflita. O dia dos namorados, assim como qualquer data comemorativa, é na verdade um lembrete para se entender o significado de muitas das relações humanas: família, amigos, profissão, espiritualidade, dentre outros aspectos.

O dia dos namorados é, de maneira bem clichê, todos os dias. Sempre que puderem amem, não só a namorada, mas a mãe, o pai, os irmãos, os primos, os amigos, enfim, todos aqueles que merecem um lugarzinho na sua mente.

E viva o dia do amor!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Xeque-mate




Eu sempre pensei a vida como se ela fosse um jogo de xadrez. Dá pra ver a nítida influência "nerd" sobre meus gostos e, para aqueles que me conhecem, isso não é novidade alguma.

A conclusão mais óbvia a qual se pode chegar sobre esta comparação é que, como tudo na vida, é necessário planejamento. Para se atingir metas, é necessário que se planeje com antecedência o caminho a percorrer da idéia até o perfazimento do objetivo.

Contudo, às vezes é necessário arriscar, ser espontâneo. O bom jogador de xadrez é aquele que, além de ser uma pessoa calculista, não pode ter medo de intentar uma nova idéia. A surpresa pode trazer conseqüências interessantes.

Por muitas vezes, creio que o xadrez, por ser algo lúdico, não precisa ser levado tão a sério, e ganhar sempre é um saco. A graça, muitas vezes, pode estar apenas em competir e trocar umas idéias com o seu amigo-adversário.

Mas o que me fez rememorar esta cretina teoria de minha mente não foi nenhum jogo de xadrez que eu tenha participado, pois não jogo há meses. Também não foi nenhuma das situações acima descritas. O que me tem intrigado é como as pessoas lidam com problemas quando estão analisando sob a perspectiva de um observador e sob a ótica do jogador.

Enquanto espectador, aqueles fatores psicológicos que nublam a visão do jogador não influenciam o seu olhar. Com as lentes limpas, e, analisando as duas vertentes de jogo, pode-se chegar a melhor conclusão para qual movimento dar à determinada peça do tabuleiro. Já o jogador, absorto em seus cálculos intermináveis e pensamentos não verossímeis na lógica do próprio jogo, conjecturando o que se passaria na mente de seu adversário, por vezes, não escolhe o melhor movimento ou demora para chegar à conclusões óbvias.

Quando nos deparamos com problemas, tendemos a perder o controle emocional e agir de maneira inconseqüente. Ou, por medo de agir de maneira por demais emocional, perde-se o senso de oportunidade, esquecendo-se da espontaneidade, atitude que leva à hesitação e à resignação por não ter feito o que julgava que era correto no tempo oportuno.

O ideal, que é comumente impossível, seria analisar a situação como um terceiro observador, colocando-se na posição de ambos os "jogadores". Todavia, sabe-se que isso nem sempre é possível, mas deve, indubitavelmente, ser tentado. Colocar-se na posição de seu oponente, tentando entender seu ponto de vista, pode-se chegar a conclusões mais interessantes. Ressalta-se, entretanto, que não é uma questão de perder ou ganhar, mas sim de resolução de problemas.

Acontece que, apesar desse falatório, dessa verborragia de sofismas, eu ainda quero ou dar um xeque-mate ou derrubar o rei* antes que me vençam.

*derrubar o rei - abandono de partida em xadrez.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Auto-boicote

“Quem busca o que não quer, não tem nem o que busca, nem o que quer”

Eu não sei ao certo o que faz as pessoas falharem. Há muito que penso em falar sobre falha no blog e, como acho este tema interessante. Acho que este vem a calhar depois de passar mais de um mês sem nada “postar”.

Pois bem. Volto ao tema: falha. Uma das razões das falhas, a razão interna, eu denominarei de auto-boicote. Explico melhor.

Depois de muito refletir, eu cheguei à conclusão que as pessoas tomam decisões que as põem em situações desconfortáveis, reiteradamente, simplesmente porque não concordam com a decisão tomada. Só não querem aceitar o fato de que não concordam. Parece contraditório, mas utilizar-me-ei de um exemplo para facilitar a compreensão.

Imaginemos uma pessoa que, por pressão dos pais, que são extremamente conservadores, escolhe o curso de medicina no momento da inscrição do vestibular. Todavia, seu sonho sempre foi cursar artes cênicas. Não há conexão entre a vontade real e a atitude tomada.

A não ser em raras hipóteses, nas quais a pessoa modifica sua personalidade e, por conseguinte, sua vontade, a tendência é que o candidato ao vestibular não seja aprovado. Ele na verdade não quer ser aprovado e, ainda que ele possua potencial para tanto, não conseguirá. E, o “desvio de finalidade” é o grande responsável pela falha.

“Querer é poder”, é o dito popular.

Concordo em parte com o “folklore”. Querer não é necessariamente poder. As coisas existem no mundo em potencialidade, isto é, tudo que está para existir, pré-existe. Isto não é novidade, vide Aristóteles. Para a potência vir a ser ato, há, contudo, necessidade de um elo, algo que una os dois mundos. Este fio intangível, a corda umbilical é o querer.

E, quando o querer é diverso do posto em prática, a potência nunca vira ato, pois não há ato volitivo que o crie neste mundo. Existe apenas em pensamento. É como se o fio, que deveria ser de cobre, nós, inconscientemente, utilizamos um cipó frouxo, uma corda que inexoravelmente será rompida. A potência real nunca deixa de ser potência, nem o ato falsamente professado como desejado torna-se fato, pois nunca foi querido, não é uma potência, portanto, inexistente. O que não “virá-a-ser” nunca será.

Eis o porquê do fracasso, o não perfazimento do objetivo. É o auto-boicote.

O estabelecimento real de metas é o mais interessante. É evidente que por incontáveis vezes as pessoas deixam de escolher o que querem por pressões ditas “externas”. Contudo, salvo algumas exceções, as pressões exógenas são em verdade decisões internas tomadas inconscientemente.

Voltando à pessoa que escolhe medicina como curso ao invés de artes cênicas, ela faz a escolha não-querida por ter em sua mente uma outra escolha querida, que, em sua ponderação de interesses, possui maior valor. O caminho escolhido é agradar aos pais. E é esse o maior problema das pessoas que são auto-boicotadas. Elas são boicotadas por si mesmo duplamente: a um, quando tomam um caminho que não querem, a dois, quando deixam os outros por ela escolherem, sendo esta inação o segundo boicote.

Muitas pessoas se dizem infelizes porque não alcançam as metas. A meta maior da pessoa no exemplo acima era se anular. Então, quando a pessoa se anula, se auto-boicota duplamente, ela é a única responsável pelo seu fracasso e atinge, em última análise, a sua meta. Cabe somente a ela consertar o erro.

Quando, porém, o fracasso é devido realmente a fatores que dela não dependam (por exemplo, o fato de ela não possuir condições econômicas de estudar), aí sim a situação é complicada.

Sobre a irresignação e o inconformismo, falarei da próxima vez. Chega!

Abraços.

segunda-feira, 10 de março de 2008

O melhor amigo do homem

Alguns dizem que o melhor amigo do homem é o cachorro. Acho esse pensamento interessante, mas não totalmente correto. Eu adoro cachorros, são fiéis, carinhosos e atenciosos. Só que nem todos gostam deles. Então, andei pensando, qual seria o primeiro e melhor amigo do homem?

Acho que é o travesseiro.

Ele é nosso apoio, nosso amigo. Podemos nem falar, mas ele sabe quando estamos mal e parece-nos mais confortável quando precisamos dele.

É o nosso “security blanket”, onde nos apoiamos todos os dias, quando estamos bem, ou quando estamos mal.

Basta chegarmos com uma amargura. A pessoa pode não chorar na frente de ninguém, mas ele sentirá suas lágrimas, ainda que líquidas não sejam.

Se você rir, seu dobrar será um sorriso que te acompanha. E ele sempre vai te dar o mesmo afago que um amigo te daria num abraço.

E tudo isso sem pedir, pestanejar.

E ele está lá.

Dormir sem ele, um calvário. A noite não é a mesma sem o nosso amigo.

Tudo isso sem reclamar.

E como um bom amigo, ele parecerá mais duro, mais estranho quando você estiver com um tormento, não te deixará dormir direito. Porque amigo que é amigo não passa a mão na cabeça quando se tem problemas, ele te faz enfrentá-los com afinco.

É sua primeira e última visão do dia. Antes mesmo daquelas pessoas com quem escolhemos viver.

Portanto, não negligenciemos nossos amigos fofos. Chorem, riam, compartilhem tudo com eles, porque eles não te falharão.

Por isso durmo com 3!

Abraços.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Quanto custa um sorriso?

Por que todo sergipano é grosso? Todo não, é verdade, há muitas pessoas que não são.

Porém na verdade, quem conhece os sergipanos sabe da imensurável grosseria e falta de educação que só eles podem te proporcionar. Por exemplo: vocês já tentaram ir a uma loja pra comprar algo? Parece que é obrigação do comprador já saber o que quer, o tamanho, a cor, o modelo, tudo. E pedir uma informação? Outro calvário. Se palavras tivessem peso, seria como receber halteres de 10kg em cada lado no meio do rosto.

Os vendedores tratam os compradores com um desdém absurdo, ninguém quer te dar uma informação, o garçom é deveras incompetente e nós devemos ainda respeitá-lo sob pena de recebermos comida cuspida. Mas será que a grosseria estaria arraigada nos genes dos sergipanos, ou é gerada pelas condições que se tem?

Em outros lugares do Brasil, como Salvador por exemplo, as pessoas pelo menos fingem ser educadas, efusivas. Você se sente necessário na loja, no ambiente, acaba comprando mais, consumindo mais, e acaba voltando.

Não sou nenhum Sérgio Buarque de Hollanda, mas deve ser uma união dos dois fatores. Realmente, o salário que recebem estes funcionários é horrível. Mas isso não justifica. Em vários lugares, como Salvador, citado anteriormente, essa endemia não existe, ou pelo menos é maquiada. Deve ser algo mais arraigado, tanto à cultura sergipana, quanto à própria genética.

O povo sergipano, em sua maioria, é composto de sertanejos (no interior), ribeirinhos (no estuário do São Francisco) e na capital, temos uma miscelânea de ambos, com alguns vindos de outros Estados. Mas, em suma, somos um Estado recém-urbanizado.

E não é segredo pra ninguém que os interioranos são mais rudes, o que não é ruim na lógica deles, claro. Contudo, espera-se que, ao viver em ambientes diferentes, as coisas se amoldem à lógica inerente destas. E a lógica das cidades é diferente.

Aracaju é a única capital que conheço com cara de interior. Tudo é perto, todos se conhecem, falam mal uns dos outros, agem de maneira exibida e preocupada com a opinião alheia e, sobretudo, são rudes. E é essa característica que trava o desenvolvimento dessa cidade. Se alguém quer crescer, tem que sair daqui.

O ambiente exclui os diferentes, porque os seres humanos são grandes fascistas, na verdade. Só querem viver com quem é parecido. O que é normal, claro. Aracaju é uma cidade com alma de engenho. A 13 de Julho é a casa grande e a Piabeta é a senzala. Não é preconceito, é uma constatação apenas. Não há melhores ou piores, são todos iguais.

E nesse ambiente de pessoas recém-urbanizadas, não há capacidade ainda para agir civilizadamente. Aliás, no Brasil isso é raro, uma vez que nosso povo saltou da barbárie para a decadência sem passar pelo estágio civilizatório.(Luís Fernando Veríssimo)

Nesse lugar decadente, em que o carro-de-bois virou o Honda Civic, grita-se por nada. Não há sequer cordialidade, como diria o finado Sérgio Buarque. E essa falta de cordialidade, este pensamento pequeno atravanca o crescimento. Como? Quem vem de fora, é maltratado. O turista sente-se como um intruso na capitania de Sergipe. E, há que se dizer, não é culpa do local. Nosso estado é bonito, como todo o Brasil. Só que o que vive aqui o torna feio.

Não só o turismo. Isso é só um exemplo. O pensamento rudimentar faz com que as pessoas pensem de maneira pequena também. Pra quê crescer? Não há utilidade, pois se tem um apartamento de 3 quartos, um carro na porta e contas pra pagar. No interior, tem-se uma casa de taipa, um boizinho e uma conta pendurada na bodega da esquina...

Creio, na verdade também, que haja um problema de comunicação. E a comunicação, transmissão da linguagem, é essencial para a evolução de uma sociedade. Pessoas taciturnas nada dizem. E não é que não existe conteúdo. Ele existe, os indivíduos são de uma riqueza imensurável. “Cada cabeça é um mundo”, dizem.

Mas, como os caranguejos tão tradicionais daqui, tem que se quebrar a casca pra extrair algo. Como ninguém tem paciência pra extrair as cascas de todo mundo, vive-se na superficialidade. E tal superficialidade é demasiado perigosa para uma sociedade que quer evoluir. Tal perigo, no entanto, não existe para os sergipanos, que ainda estão com a cabeça no engenho. E é por isso, por exemplo, que nosso jornalismo é risível, facilmente influenciado por grupos políticos. E quanto à fraqueza do jornalismo, o 4º poder, falar-se-á depois.

É contra essa grosseria que se insurge aqui. Papo de um inconformado com grosseria gratuita. Afinal, quanto custa um sorriso? Todavia, como afirmado, no fascismo sergipano, os incomodados que se mudem, ou se moldem, claro. Regridam caso queiram ser senhores do canal ou mucamas, vivendo na Taiçoca. Ou saiam da caverna e fujam para a civilização.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Ixe!

Chocolates, chocolates gostosos para todos que vierem me fazer uma visitinha. É a compra de atenção...ao invés de mendicância afetiva, afeição via compra e venda. Todos que me visitam ganham chocolate.

Resultados da viagem à Suíça = Voltei mais chato com algumas coisas, menos tolerante, eu diria. Com que coisas? Antes de enumerar, direi o porquê das mudanças. Preciso crescer. Se não der pra crescer mentalmente, pelo menos profissionalmente. Tenho meus planos, e para isso preciso de dinheiro. Então, preciso modificar algumas atitudes.

Primeiro – Quem me conhece sabe da minha imensa generosidade. Sou generoso até demais. Se eu tiver o que dar, eu dou (sem duplo sentido, engraçadinhos). Tão tonto que pessoas próximas a mim acabam se valendo de tal generosidade e “montam”. Pessoas que deveriam, ao inverso do que acontece, me ajudar. Muito curioso isso. Primeira modificação: chega de generosidade. Nada disso mais. Sou “bem gente ruim” agora. Porque na hora que eu precisei da ajuda de quem eu ajudava, cadê? O ditado “Se dá a mão, quer logo o pé” se aplica perfeitamente aqui.

Segundo – Exigência externa. Como sou generoso demais com os outros, espero que sejam comigo. Tendência natural do ser humano de que o próximo seja com ele parecido. Falarei sobre isto mais abaixo, como um apêndice do blog. Mais um conceito de pseudo-psicologia... Mas sim. Não vou exigir nada mais de ninguém. Nem pensar em exigir, o que é mais difícil. Cansei de esperar que os outros que eu ajudo façam algo por mim, porque não o farão. Creio que um dos piores defeitos da raça humana é a ingratidão. Poucos são realmente gratos.

Terceiro – Falta de piedade. Tem um pouco a ver com a generosidade, mas nesse caso é diferente. Não serei tolerante com erros ou infantilidades como eu sempre fui. Cansei. Não sou perfeito, tenho plena consciência disso, por isso tento melhorar. Mas porque insistir em pessoas que continuam me irritando com os mesmos fatos? Melhor deixar pra lá...Pessoas são diferentes e é preciso respeitar as diferenças, mesmo que isto implique afastamento. Melhor que brigar, “dar murro em ponta de faca”.

Quarto – Menos idealista. Cansei de idealizar as pessoas, apaixonar-me (não só no sentido amoroso da coisa...) pelas pessoas e coisas antes mesmo de conhecer. A realidade é dura, em compensação, quando a admiração é real, é mais forte, verdadeira. E ainda não conheci quase nenhuma admiração (paixão) que tenha valido a pena, que tenha sido verdadeira, a não ser pela inteligência. Talvez isso seja a única coisa que me fascina. Ah, e claro, loirinhas dos olhos azuis. :P

Voltando ao conceito de pseudo-psicologia, falarei sobre duas situações... São as duas conseqüências do que eu vou chamar de efeito camaleão. Antes de mais nada, para melhor entender o que vou dizer, assistam a um filme de Woody Allen chamado Zelig, muito bom.

Efeito camaleão – Todas as pessoas tem uma tendência natural de procurar pessoas que sejam parecidas com elas. Podem chamar de afinidade, mas eu creio que seja algo mais forte que isso. Eu tenho afinidade com pessoas que gostam de rock, por exemplo. Mas não preciso estar ao lado de roqueiros. Tenho muitos amigos pagodeiros. No entanto, se você está entre roqueiros ou entre pagodeiros, dificilmente você vai agir como o inverso. As pessoas se moldam ao ambiente que estão, como os camaleões. Para ajudar, um exemplo:

Se alguém chega muito empolgado, alegre, num ambiente em que alguém acabou de saber da morte de outra pessoa, o alegre logo estranha e pergunta...quem morreu? E logo fica triste como os demais. É como se a pessoa alegre se sentisse culpada por estar alegre.

O inverso também acontece. Se alguém está triste em uma festa, os alegres prontamente fazem de tudo para que o triste também fique alegre. Tendência natural do ser humano.

E isto se aplica em inúmeras situações:

1 – Como você escolhe seus amigos;

2 – Os ambientes que você freqüenta;

3 – Porque existe gente que maltrata o outro; (o infeliz quer que todos sejam infelizes);

4 – Porque existem pessoas generosas; (as pessoas felizes querem ver os outros felizes);

5 – Porque as pessoas de determinados grupos sociais se vestem, e falam da mesma maneira;

6 – Etc...

Não vou ficar falando muito sobre isso, mas daí surge a noção de clãs, tribos, nações, povos, culturas e por aí vai. Nenhuma novidade para quem já leu sobre isso. Só é interessante notar isso nos mínimos detalhes. Muito mais interessante até que ver isso no todo, eu creio. Dá pra entender (não perdoar), porque aquela pessoa chata gosta de chatear, o triste gosta de deixar os outros tristes...e por aí vai.

Bem, concluindo, os que não foram avisados anteriormente da minha nova intolerância e novos planos, ainda aproveitarão do resto de minha piedade. Quanto aos já avisados...bem...pra bom entendedor....

sábado, 5 de janeiro de 2008

Suíça – O país onde tudo é importado...até a alegria.

Quem me conhece sabe que estou longe da terrinha. Estou na gélida e inóspita Suíça, lugar que tem me feito dizer – ‘tcha frio do caraio- pelo menos umas 5 vezes por dia.

Mas o frio não tem problema algum. Soh o sentimos nos ambientes externos e, quando saímos, estamos bem empacotados. Com o tempo dá pra se acostumar. É verdade!

O que não dá pra se acostumar com a frieza do povo Suíço. Os nativos são de uma frieza, calculismo, chatice, digna de pena. São como os relógios que aqui se produzem.

Antes de continuar, dado curioso. Sabia que a Suíça é produtora exímia de relógios há séculos por uma simples razão, qual seja, o marasmo? Os Suíços da montanha no inverno, sem ter o que fazer, optimizaram a produção de relógios. Por isso os daqui são tão respeitados.

Não vou ficar enaltecendo as qualidades da Suíça, pois são todas aquelas comodiades tecnológicas que o dinheiro do 1 mundo pode te dar. No entanto, país montanhoso e acidentado como é, e escasso de riquezas naturais, gostaria de lembrar que a Suíça depende de importações de todo tipo de mercadorias: trigo, ferro, açúcar, mão-de-obra barata (suprida pelos imigrantes ilegais, para a felicidade de todo governo de 1 mundo) e alegria. Isso mesmo, alegria.

As pessoas aqui não são só chatas, são incrivelmente melancólicas. Os casais brigam por nada, os homens acham interessante ser grossos com os outros, inclusive com as próprias esposas; as mulheres vivem com medo e com cara de choro. As únicas pessoas alegres que vi foram os imigrantes de origem árabe, latina e africana. No mais, os europeus arianos (à la Hitler), são dignos de pena.

Dois exemplos.

1- Estava numa festinha na cidade de Lausanne, capital do Cantão de Vaud (estado de Vaud). A festa era um marasmo só, um monte de barraquinhas mal dispostas e pessoas passeando, flanando sem rumo, uma briga aqui, outra ali, e pouquíssimos sorrisos. Eis que vejo um senhor gritando de dentro de uma barraca. Começo a conversar com ele e rio bastante. 10 minutos depois descubro que o homem que fazia todos rirem era italiano. Óbvio que não era Suíço.

2- No ano novo em Genève, os Suíços que vi mais se preocupavam em beber, quebrar monumentos e brigar entre si. O povo divertido com quem eu estava era composto de poloneses, italianos e marroquinos.

Não gosto tanto assim do Brasil, mas definitivamente prefiro os brasileiros aos relógios suíços.

Saudades dos meus amigos e família.

Beijos

Rafael Moreno.