segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"Desconsciente coletivo"

Desconsciente coletivo


Andei um tempo pensando sobre como alguns grupos não conseguem emitir opiniões próprias sobre inúmeros assuntos. Sem querer entrar no mérito da discussão do que seria opinião, partamos da premissa que seja um juízo de valor após uma breve análise sobre determinado tema. De resto, se não houver reflexão, não é opinião, é um palpite, uma impressão.

Pois bem. Muitas vezes eu presto atenção em determinados comportamentos de algumas pessoas que denotam algumas opiniões diferenciadas. Por exemplo, e sejamos bem simplórios: pessoas que gostam de pagode, sem escutar, não gostam de rock e vice-versa. Não há coisa mais idiota que isto, mas acontece todos os dias. Poder-se-ia afirmar: “é questão de gosto”. Tudo bem, compreende-se. Ocorre que a mácula sobre a interpretação que se tem do outro pode se espalhar para além de seu gosto musical. A divergência de interesses auditivos se torna uma rusga, tachando-se comportamentos e criando nichos, guetos, totalmente doentios para a convivência. Tudo isso porque as músicas e festas que se freqüentam são diferenciadas.

Este exemplo é simples e, com a maturidade, vai se atenuando. Porém outras situações piores podem surgir. Por exemplo: em um determinado grupo social, as pessoas se relacionam entre si, como haveria de ser. Todavia, um desentendimento surge entre dois indivíduos e, de repente, todos os indivíduos vinculados a cada um dos “partidos” simplesmente deixa de se comunicar com o representante do outro, ainda que nada tenha a ver com o assunto. Este exemplo acontece sempre, não importa a idade, e é verdadeiramente patético.

É óbvio que existem pessoas que exercem influência em nossas opiniões, mas daí entregar a uma pessoa sua liberdade de pensamento? Essa confiança cega na opinião alheia pode gerar inúmeros problemas, e hoje os denominamos de preconceitos.

Nada disso é grande novidade. A criação dos preconceitos parte, muitas vezes, da incapacidade ou impossibilidade, seja ela individual, seja ela conjuntural, de se pensar. Alguns acham simplesmente mais fácil incorporar opiniões alheias sobre determinado assunto. Outros, devido a situações de penúria (é só se lembrar dos alemães na década de 30 do século passado) não conseguem criar seu próprio juízo de valor. Venhamos e convenhamos, é difícil fazê-lo com fome!

Sem querer entrar no mérito de outra discussão, creio que o preconceito vem da entrega de um dos mais importantes direitos que existem: a liberdade de pensamento. O preconceito é, por conseguinte, a escravidão da mente. Quando alguém carrega em sua mente uma opinião de outra pessoa sem ao menos colocá-la sob seu crivo, esta pessoa é escrava mental de outrem. E, quanto mais escravos mentais determinada pessoa possui, mais “influente” ela é.

Não se afirma que todos devem ter opiniões divergentes. Desta maneira sair-se-ia de nada a lugar algum. O que deveria ocorrer é a absorção de uma tese, produção de um antítese para se atingir uma síntese. Quem faz isto hoje? Quase ninguém. Numa situação como esta, o campo é fértil para o surgimento de lideranças. E, nesta conjuntura, talvez seja mais interessante rezar para que a liderança esteja de boa-fé que esperar que as pessoas deixem de ser preguiçosas e comecem a pensar, porque, meu amigo, tá difícil....

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