Por que todo sergipano é grosso? Todo não, é verdade, há muitas pessoas que não são.
Porém na verdade, quem conhece os sergipanos sabe da imensurável grosseria e falta de educação que só eles podem te proporcionar. Por exemplo: vocês já tentaram ir a uma loja pra comprar algo? Parece que é obrigação do comprador já saber o que quer, o tamanho, a cor, o modelo, tudo. E pedir uma informação? Outro calvário. Se palavras tivessem peso, seria como receber halteres de 10kg em cada lado no meio do rosto.
Os vendedores tratam os compradores com um desdém absurdo, ninguém quer te dar uma informação, o garçom é deveras incompetente e nós devemos ainda respeitá-lo sob pena de recebermos comida cuspida. Mas será que a grosseria estaria arraigada nos genes dos sergipanos, ou é gerada pelas condições que se tem?
Em outros lugares do Brasil, como Salvador por exemplo, as pessoas pelo menos fingem ser educadas, efusivas. Você se sente necessário na loja, no ambiente, acaba comprando mais, consumindo mais, e acaba voltando.
Não sou nenhum Sérgio Buarque de Hollanda, mas deve ser uma união dos dois fatores. Realmente, o salário que recebem estes funcionários é horrível. Mas isso não justifica. Em vários lugares, como Salvador, citado anteriormente, essa endemia não existe, ou pelo menos é maquiada. Deve ser algo mais arraigado, tanto à cultura sergipana, quanto à própria genética.
O povo sergipano, em sua maioria, é composto de sertanejos (no interior), ribeirinhos (no estuário do São Francisco) e na capital, temos uma miscelânea de ambos, com alguns vindos de outros Estados. Mas, em suma, somos um Estado recém-urbanizado.
E não é segredo pra ninguém que os interioranos são mais rudes, o que não é ruim na lógica deles, claro. Contudo, espera-se que, ao viver em ambientes diferentes, as coisas se amoldem à lógica inerente destas. E a lógica das cidades é diferente.
Aracaju é a única capital que conheço com cara de interior. Tudo é perto, todos se conhecem, falam mal uns dos outros, agem de maneira exibida e preocupada com a opinião alheia e, sobretudo, são rudes. E é essa característica que trava o desenvolvimento dessa cidade. Se alguém quer crescer, tem que sair daqui.
O ambiente exclui os diferentes, porque os seres humanos são grandes fascistas, na verdade. Só querem viver com quem é parecido. O que é normal, claro. Aracaju é uma cidade com alma de engenho. A 13 de Julho é a casa grande e a Piabeta é a senzala. Não é preconceito, é uma constatação apenas. Não há melhores ou piores, são todos iguais.
E nesse ambiente de pessoas recém-urbanizadas, não há capacidade ainda para agir civilizadamente. Aliás, no Brasil isso é raro, uma vez que nosso povo saltou da barbárie para a decadência sem passar pelo estágio civilizatório.(Luís Fernando Veríssimo)
Nesse lugar decadente, em que o carro-de-bois virou o Honda Civic, grita-se por nada. Não há sequer cordialidade, como diria o finado Sérgio Buarque. E essa falta de cordialidade, este pensamento pequeno atravanca o crescimento. Como? Quem vem de fora, é maltratado. O turista sente-se como um intruso na capitania de Sergipe. E, há que se dizer, não é culpa do local. Nosso estado é bonito, como todo o Brasil. Só que o que vive aqui o torna feio.
Não só o turismo. Isso é só um exemplo. O pensamento rudimentar faz com que as pessoas pensem de maneira pequena também. Pra quê crescer? Não há utilidade, pois se tem um apartamento de 3 quartos, um carro na porta e contas pra pagar. No interior, tem-se uma casa de taipa, um boizinho e uma conta pendurada na bodega da esquina...
Creio, na verdade também, que haja um problema de comunicação. E a comunicação, transmissão da linguagem, é essencial para a evolução de uma sociedade. Pessoas taciturnas nada dizem. E não é que não existe conteúdo. Ele existe, os indivíduos são de uma riqueza imensurável. “Cada cabeça é um mundo”, dizem.
Mas, como os caranguejos tão tradicionais daqui, tem que se quebrar a casca pra extrair algo. Como ninguém tem paciência pra extrair as cascas de todo mundo, vive-se na superficialidade. E tal superficialidade é demasiado perigosa para uma sociedade que quer evoluir. Tal perigo, no entanto, não existe para os sergipanos, que ainda estão com a cabeça no engenho. E é por isso, por exemplo, que nosso jornalismo é risível, facilmente influenciado por grupos políticos. E quanto à fraqueza do jornalismo, o 4º poder, falar-se-á depois.
É contra essa grosseria que se insurge aqui. Papo de um inconformado com grosseria gratuita. Afinal, quanto custa um sorriso? Todavia, como afirmado, no fascismo sergipano, os incomodados que se mudem, ou se moldem, claro. Regridam caso queiram ser senhores do canal ou mucamas, vivendo na Taiçoca. Ou saiam da caverna e fujam para a civilização.