quinta-feira, 12 de junho de 2008

"Love is in the air..."

Feliz dia dos namorados!

Achei interessante postar hoje, vez que, em 6 anos, esse é o primeiro dia dos namorados que eu não comemoro.

Antes de mais nada, gostaria de expressar minha opinião como “solteiro” que não há data que teve sua gênese mais comercial que esta. É uma época péssima para o comércio, devido a total ausência de datas comemorativas, então deslocou-se a comemoração do festejado dia de São Valentim, em fevereiro, para junho. Não questiono a ocasião, só a data que ficou muito artificial.

“Por que é dia dos namorados? Por que é.”

No entanto, não quero discutir se é a data boa para isso ou não. Eu gostaria de entender como as mesmas pessoas, em situações totalmente antagônicas, dão importância diferenciada à mesma data. Quando se está solteiro, muitas pessoas dizem que a data não tem importância, que ela é comercial (reitera-se, não a acho comercial, acho só o período meio nada a ver) enfim, “abaixo-ao-dia-dos-namorados-eu-sou-solteiro-auto-suficiente-e-muito-feliz-e-vivo-na-gandaia-e-me-divirto-sozinho.

Já os enamorados crêem que a data é linda maravilhosa, que o amor é lindo, tudo está as mil maravilhas e que essa alegria é eterna. Ah, o amor é cego, já dizia Shakespeare. E pensam, os apaixonados, que bobo é aquele que não está e que os solteiros que não têm um amor são coitadinhos, dignos de pena.... “Oh, coitadinho, está sozinho!”

Ainda há uma terceira espécie: aquele que o relacionamento vai mal das pernas. Enquanto o primeiro é indiferente ao dia dos namorados, o segundo mergulha de cabeça na comemoração, este terceiro vê a data como um tormento. “Vixe, tenho que comprar presente, é?” Quer este que a data passe logo, para que um dia, longínquo, quando deixar este de ser covarde, termine o relacionamento.

Existem outras espécies, mas as que mais me atenho são estas. Fizeram-me pensar, principalmente porque já passei pelas três situações. O que faz então uma pessoa sentir estes sentimentos? Creio que seja, no fundo, a necessidade de ser amado inerente de todo ser humano. Todos necessitam ser amados, queridos, desejados.

A demonstração de indiferença é na verdade uma negação da sensação de rejeição. Por isso o solteiro convicto busca um pouquinho de amor em cada lábio que beija, e cada corpo é uma pequena cópia, uma pílula de ecstasy, que lhe dá satisfação momentânea, mas que no fundo só te enganou. Engana-se aquele que fundamenta sua vida na incessante busca de bonecas infláveis interativas, em que pese um pouquinho de “sacanagem” seja bastante interessante de tempos em tempos.

O cego é o que é digno de pena, pois ele se afunda num abismo cada vez maior. A tendência é que aquilo um dia acabe. A chance de durar pra sempre é raríssima, todo mundo sabe disso. É óbvio que vale a pena tentar, mas sentir dó dos outros porque eles não se chafurdam no charco da paixão com você? Acho que mais que cego, a paixão, não o amor - porque este é lúcido-, sofreu uma lobotomia digna de atendentes de telemarketing. E jogar a corda pra retirar a outra pessoa lá do poço é tarefa árdua, creio que saibam.
O terceiro é um coitadinho também. Sair de uma situação dessas requer coragem, é verdade, mas, acima de tudo, requer lucidez. Não entendo como nós seres humanos somos capazes de continuar gostando de quem nos faz mal. É uma tendência masoquista inegável e inexplicável. Dou aos parabéns a quem consegue sair e tenho pena daqueles que estão nessa situação; tento sempre dar cordas para saírem do poço, uma vez que estão sozinhos e presos lá dentro.

É natural que todos já tenham passado por isso. Quem ler isto, espero que reflita. O dia dos namorados, assim como qualquer data comemorativa, é na verdade um lembrete para se entender o significado de muitas das relações humanas: família, amigos, profissão, espiritualidade, dentre outros aspectos.

O dia dos namorados é, de maneira bem clichê, todos os dias. Sempre que puderem amem, não só a namorada, mas a mãe, o pai, os irmãos, os primos, os amigos, enfim, todos aqueles que merecem um lugarzinho na sua mente.

E viva o dia do amor!

3 comentários:

Unknown disse...

Um dos melhores textos que já li sobre o tema, parabéns Rafael! Desta vez eu realmente não tenho o que contestar..Nada!

Tatiana Maslova disse...

De nada,este também esta ótimo.
Falaste da personalidade dupla por causa dos seus 2 nomes,se eu tenho 3 nomes eu tenho 3 personalidades :D

Alkinoé disse...

Rafael, vc escreve muito bem, parabéns! Li as suas postagens e realmente vc tem o dom de articular as palavras e expor claramente algumas idéia, gostei de todos os textos, e este último foi espetacular ;).