Certa vez eu li duas idéias que achei muito interessante e vou utilizá-las para tecer alguns comentários sobre “a verdade”.
Uma delas foi de Douglas Adams, autor do Guia do Mochileiro das Galáxias – Restaurante no fim do Universo, que dizia:
“O povo Belcerebon causava um grande ressentimento e insegurança entre as raças vizinhas por ser uma das civilizações mais desenvolvidas, iluminadas, e acima de tudo uma das mais quietas da Galáxia. Como punição para tal comportamento, que foi considerado arrogante e provocativo, um Tribunal Galáctico impôs a eles o mais cruel dentre os males sociais, a telepatia.”
O outro comentário eu não sei quem é o autor, vi num subnick de msn, dizia:
“Quando você mente ou omite você viola o direito de outra pessoa conhecer a verdade”
Inicialmente, gostaria de dizer que não concordo com este último comentário. Na realidade, creio que saber a hora de falar a verdade, a de mentir e a de omitir é uma arte que a todos deveria ser ensinada, pois muitos conflitos sociais seriam evitados. O que ocorre é que as pessoas não são iniciadas desta arte.
Imagine-se uma sociedade em que todos sabem o que todo mundo pensa, assim como o exemplo citado do povo de Belcerebron? A conseqüência no próprio livro foi desastrosa. De acordo com o autor, as pessoas gritavam o tempo inteiro sobre coisas idiotas para não ter que escutar a incessante verdade. Então, falar a verdade o tempo inteiro não é algo saudável, eu diria.
Não acredito também que as pessoas têm o direito de saber a verdade sobre tudo. Não estou fazendo apologia ao engodo, mas há situações em que é muito melhor dizer “Não deu certo” que um “você ficou gorda” ou “você prefere o futebol que a mim”. Dói menos pra quem ouve e pra quem diz.
As pessoas só devem ter o direito de ouvir a verdade quando sabê-la for, de algum modo, útil para elas. Aferir esta utilidade é que são elas...
1 – Muitas vezes as pessoas não querem escutar a verdade, ainda que seja a pergunta direta. Exemplo: Todo mundo dá bom dia ao vizinho, embora você queira matá-lo pelo barulho do dia anterior.
2 – Outras vezes dizer a verdade só vai magoar. Concordo que às vezes a verdade é dura e tem que ser dita, mas tudo tem hora. Dizer a verdade quando alguém está em crise e impossibilitada momentaneamente de sair dela é puro sadismo.
3 – Por vezes a pergunta é pura mendicância afetiva e, em que pese possa não ser mentira o que se diga, é tão artificial e não espontâneo que parece lorota. Exemplo: “Eu me sinto tão feia e rejeitada, eu sou bonita?” “É claro que é....tsc tsc”
Não creio que seja condenável a pessoa que diz a verdade espontaneamente, bruscamente, sem intenção de magoar. Execrável é o mau uso da verdade. Muitas vezes as pessoas a utilizam por pura maldade, quando omitir ou até mentir é melhor.
Defendo o poder da omissão; o poder do não dizer. A verdade só deve ser solta para o mundo quando estritamente necessária. Invertamos a ordem, ao invés de “a verdade os libertará” pensemos “eu libertarei a verdade”.
E quando libertá-la? Quando sua liberdade trouxer efeitos práticos satisfatórios. Quando maquiá-la através de mentiras? Somente e, digo, somente, quando a pessoa quiser ouvir a mentira. E quando omiti-la? Nos demais casos.
A pessoa que age assim é extremamente mais satisfeita consigo mesma. Existe uma lenda que todos a conhecem, talvez de outra maneira, que é uma divindade hindu chamada Ganesha. Ganesha, se não me engano, é um elefante e, como todo bom elefante possui incomensuráveis orelhas assim como as minhas. E uma boca pequena para o seu enorme tamanho de paquiderme. Por quê? Simplesmente porque seria muito mais interessante para as pessoas se elas falassem menos e prestassem mais atenção ao seu redor. Lembremos do exemplo do povo de Belcerebron, que era muito feliz e iluminado.
Na linha de Lao-Tsé, empurrar ou puxar com as mãos um carro em movimento é inútil; entrar nele te leva a algum lugar. O mundo tem seu fluxo; soltar a verdade quando ela é exigida do mundo é manter o carro em movimento. Liberá-la ou escondê-la no momento em que ela é exigida é como fazer morrer o carro.
Ouçam o que o mundo quer saber que saberá você também o que quer e que estas insuportáveis e desnecessárias vozes ocultam.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
"Love is in the air..."
Feliz dia dos namorados!
Achei interessante postar hoje, vez que, em 6 anos, esse é o primeiro dia dos namorados que eu não comemoro.
Antes de mais nada, gostaria de expressar minha opinião como “solteiro” que não há data que teve sua gênese mais comercial que esta. É uma época péssima para o comércio, devido a total ausência de datas comemorativas, então deslocou-se a comemoração do festejado dia de São Valentim, em fevereiro, para junho. Não questiono a ocasião, só a data que ficou muito artificial.
“Por que é dia dos namorados? Por que é.”
No entanto, não quero discutir se é a data boa para isso ou não. Eu gostaria de entender como as mesmas pessoas, em situações totalmente antagônicas, dão importância diferenciada à mesma data. Quando se está solteiro, muitas pessoas dizem que a data não tem importância, que ela é comercial (reitera-se, não a acho comercial, acho só o período meio nada a ver) enfim, “abaixo-ao-dia-dos-namorados-eu-sou-solteiro-auto-suficiente-e-muito-feliz-e-vivo-na-gandaia-e-me-divirto-sozinho.
Já os enamorados crêem que a data é linda maravilhosa, que o amor é lindo, tudo está as mil maravilhas e que essa alegria é eterna. Ah, o amor é cego, já dizia Shakespeare. E pensam, os apaixonados, que bobo é aquele que não está e que os solteiros que não têm um amor são coitadinhos, dignos de pena.... “Oh, coitadinho, está sozinho!”
Ainda há uma terceira espécie: aquele que o relacionamento vai mal das pernas. Enquanto o primeiro é indiferente ao dia dos namorados, o segundo mergulha de cabeça na comemoração, este terceiro vê a data como um tormento. “Vixe, tenho que comprar presente, é?” Quer este que a data passe logo, para que um dia, longínquo, quando deixar este de ser covarde, termine o relacionamento.
Existem outras espécies, mas as que mais me atenho são estas. Fizeram-me pensar, principalmente porque já passei pelas três situações. O que faz então uma pessoa sentir estes sentimentos? Creio que seja, no fundo, a necessidade de ser amado inerente de todo ser humano. Todos necessitam ser amados, queridos, desejados.
A demonstração de indiferença é na verdade uma negação da sensação de rejeição. Por isso o solteiro convicto busca um pouquinho de amor em cada lábio que beija, e cada corpo é uma pequena cópia, uma pílula de ecstasy, que lhe dá satisfação momentânea, mas que no fundo só te enganou. Engana-se aquele que fundamenta sua vida na incessante busca de bonecas infláveis interativas, em que pese um pouquinho de “sacanagem” seja bastante interessante de tempos em tempos.
O cego é o que é digno de pena, pois ele se afunda num abismo cada vez maior. A tendência é que aquilo um dia acabe. A chance de durar pra sempre é raríssima, todo mundo sabe disso. É óbvio que vale a pena tentar, mas sentir dó dos outros porque eles não se chafurdam no charco da paixão com você? Acho que mais que cego, a paixão, não o amor - porque este é lúcido-, sofreu uma lobotomia digna de atendentes de telemarketing. E jogar a corda pra retirar a outra pessoa lá do poço é tarefa árdua, creio que saibam.
O terceiro é um coitadinho também. Sair de uma situação dessas requer coragem, é verdade, mas, acima de tudo, requer lucidez. Não entendo como nós seres humanos somos capazes de continuar gostando de quem nos faz mal. É uma tendência masoquista inegável e inexplicável. Dou aos parabéns a quem consegue sair e tenho pena daqueles que estão nessa situação; tento sempre dar cordas para saírem do poço, uma vez que estão sozinhos e presos lá dentro.
É natural que todos já tenham passado por isso. Quem ler isto, espero que reflita. O dia dos namorados, assim como qualquer data comemorativa, é na verdade um lembrete para se entender o significado de muitas das relações humanas: família, amigos, profissão, espiritualidade, dentre outros aspectos.
O dia dos namorados é, de maneira bem clichê, todos os dias. Sempre que puderem amem, não só a namorada, mas a mãe, o pai, os irmãos, os primos, os amigos, enfim, todos aqueles que merecem um lugarzinho na sua mente.
E viva o dia do amor!
Achei interessante postar hoje, vez que, em 6 anos, esse é o primeiro dia dos namorados que eu não comemoro.
Antes de mais nada, gostaria de expressar minha opinião como “solteiro” que não há data que teve sua gênese mais comercial que esta. É uma época péssima para o comércio, devido a total ausência de datas comemorativas, então deslocou-se a comemoração do festejado dia de São Valentim, em fevereiro, para junho. Não questiono a ocasião, só a data que ficou muito artificial.
“Por que é dia dos namorados? Por que é.”
No entanto, não quero discutir se é a data boa para isso ou não. Eu gostaria de entender como as mesmas pessoas, em situações totalmente antagônicas, dão importância diferenciada à mesma data. Quando se está solteiro, muitas pessoas dizem que a data não tem importância, que ela é comercial (reitera-se, não a acho comercial, acho só o período meio nada a ver) enfim, “abaixo-ao-dia-dos-namorados-eu-sou-solteiro-auto-suficiente-e-muito-feliz-e-vivo-na-gandaia-e-me-divirto-sozinho.
Já os enamorados crêem que a data é linda maravilhosa, que o amor é lindo, tudo está as mil maravilhas e que essa alegria é eterna. Ah, o amor é cego, já dizia Shakespeare. E pensam, os apaixonados, que bobo é aquele que não está e que os solteiros que não têm um amor são coitadinhos, dignos de pena.... “Oh, coitadinho, está sozinho!”
Ainda há uma terceira espécie: aquele que o relacionamento vai mal das pernas. Enquanto o primeiro é indiferente ao dia dos namorados, o segundo mergulha de cabeça na comemoração, este terceiro vê a data como um tormento. “Vixe, tenho que comprar presente, é?” Quer este que a data passe logo, para que um dia, longínquo, quando deixar este de ser covarde, termine o relacionamento.
Existem outras espécies, mas as que mais me atenho são estas. Fizeram-me pensar, principalmente porque já passei pelas três situações. O que faz então uma pessoa sentir estes sentimentos? Creio que seja, no fundo, a necessidade de ser amado inerente de todo ser humano. Todos necessitam ser amados, queridos, desejados.
A demonstração de indiferença é na verdade uma negação da sensação de rejeição. Por isso o solteiro convicto busca um pouquinho de amor em cada lábio que beija, e cada corpo é uma pequena cópia, uma pílula de ecstasy, que lhe dá satisfação momentânea, mas que no fundo só te enganou. Engana-se aquele que fundamenta sua vida na incessante busca de bonecas infláveis interativas, em que pese um pouquinho de “sacanagem” seja bastante interessante de tempos em tempos.
O cego é o que é digno de pena, pois ele se afunda num abismo cada vez maior. A tendência é que aquilo um dia acabe. A chance de durar pra sempre é raríssima, todo mundo sabe disso. É óbvio que vale a pena tentar, mas sentir dó dos outros porque eles não se chafurdam no charco da paixão com você? Acho que mais que cego, a paixão, não o amor - porque este é lúcido-, sofreu uma lobotomia digna de atendentes de telemarketing. E jogar a corda pra retirar a outra pessoa lá do poço é tarefa árdua, creio que saibam.
O terceiro é um coitadinho também. Sair de uma situação dessas requer coragem, é verdade, mas, acima de tudo, requer lucidez. Não entendo como nós seres humanos somos capazes de continuar gostando de quem nos faz mal. É uma tendência masoquista inegável e inexplicável. Dou aos parabéns a quem consegue sair e tenho pena daqueles que estão nessa situação; tento sempre dar cordas para saírem do poço, uma vez que estão sozinhos e presos lá dentro.
É natural que todos já tenham passado por isso. Quem ler isto, espero que reflita. O dia dos namorados, assim como qualquer data comemorativa, é na verdade um lembrete para se entender o significado de muitas das relações humanas: família, amigos, profissão, espiritualidade, dentre outros aspectos.
O dia dos namorados é, de maneira bem clichê, todos os dias. Sempre que puderem amem, não só a namorada, mas a mãe, o pai, os irmãos, os primos, os amigos, enfim, todos aqueles que merecem um lugarzinho na sua mente.
E viva o dia do amor!
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Xeque-mate

Eu sempre pensei a vida como se ela fosse um jogo de xadrez. Dá pra ver a nítida influência "nerd" sobre meus gostos e, para aqueles que me conhecem, isso não é novidade alguma.
A conclusão mais óbvia a qual se pode chegar sobre esta comparação é que, como tudo na vida, é necessário planejamento. Para se atingir metas, é necessário que se planeje com antecedência o caminho a percorrer da idéia até o perfazimento do objetivo.
Contudo, às vezes é necessário arriscar, ser espontâneo. O bom jogador de xadrez é aquele que, além de ser uma pessoa calculista, não pode ter medo de intentar uma nova idéia. A surpresa pode trazer conseqüências interessantes.
Por muitas vezes, creio que o xadrez, por ser algo lúdico, não precisa ser levado tão a sério, e ganhar sempre é um saco. A graça, muitas vezes, pode estar apenas em competir e trocar umas idéias com o seu amigo-adversário.
Mas o que me fez rememorar esta cretina teoria de minha mente não foi nenhum jogo de xadrez que eu tenha participado, pois não jogo há meses. Também não foi nenhuma das situações acima descritas. O que me tem intrigado é como as pessoas lidam com problemas quando estão analisando sob a perspectiva de um observador e sob a ótica do jogador.
Enquanto espectador, aqueles fatores psicológicos que nublam a visão do jogador não influenciam o seu olhar. Com as lentes limpas, e, analisando as duas vertentes de jogo, pode-se chegar a melhor conclusão para qual movimento dar à determinada peça do tabuleiro. Já o jogador, absorto em seus cálculos intermináveis e pensamentos não verossímeis na lógica do próprio jogo, conjecturando o que se passaria na mente de seu adversário, por vezes, não escolhe o melhor movimento ou demora para chegar à conclusões óbvias.
Quando nos deparamos com problemas, tendemos a perder o controle emocional e agir de maneira inconseqüente. Ou, por medo de agir de maneira por demais emocional, perde-se o senso de oportunidade, esquecendo-se da espontaneidade, atitude que leva à hesitação e à resignação por não ter feito o que julgava que era correto no tempo oportuno.
O ideal, que é comumente impossível, seria analisar a situação como um terceiro observador, colocando-se na posição de ambos os "jogadores". Todavia, sabe-se que isso nem sempre é possível, mas deve, indubitavelmente, ser tentado. Colocar-se na posição de seu oponente, tentando entender seu ponto de vista, pode-se chegar a conclusões mais interessantes. Ressalta-se, entretanto, que não é uma questão de perder ou ganhar, mas sim de resolução de problemas.
Acontece que, apesar desse falatório, dessa verborragia de sofismas, eu ainda quero ou dar um xeque-mate ou derrubar o rei* antes que me vençam.
*derrubar o rei - abandono de partida em xadrez.
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