É ano de eleição e, como todos (poucos) que utilizam aqueles parcos quilos de massa encefálica, pus-me a refletir sobre que resultado esta nova fanfarronice de nossa suposta democracia poderia nos trazer num futuro próximo e cheguei à conclusão: não haverá um Messias. Desistam.
Como participantes de um sistema republicano, em que se não se elegem propostas, mas uma imagem, um “pacote”, por assim dizer, os brasileiros tendem a se identificar com os candidatos, assim como numa idolatria. Os requintes de heroísmo nas campanhas são sensacionais e o falatório quixotesco é digno de riso. Todavia, vislumbrar os candidatos como paladinos talvez seja um dos maiores erros dos brasileiros em geral. Creio que, ao se depositar as esperanças em um candidato, o brasileiro torce por si mesmo. Explico-me.
O Brasil pode ser grosseiramente dividido em três camadas:
1- A que não compreende e não tem vontade de resolver (não o verbo “mudar”, cujo toque de midas eleitoral é algo surpreendente), chamemo-la de “massa”;
2 – A que compreende alguma coisa e quer resolver, mas que não tem dinheiro para fazer coisa alguma, chamemos de “intelectuais”.
3 – A terceira, que possui o dinheiro e não quer largá-lo de maneira alguma, pouco importando a capacidade de compreensão de seus participantes, chamemos de “ricos”.
Partindo da premissa que não existem exceções a esta regra, vislumbra-se uma verdadeira “sinuca de bico”. A massa tem o numerário, a força humana, mas precisa de alguém que a guie. Os intelectuais, que possuem inteligência para tanto, não possuem os meios. Quem dispõe dos meios não quer dividir sua grande fatia do bolo. E é aí que reside o problema.
Apenas a união destes três fatores poderia levar a um governo consentâneo com os anseios individuais homogêneos por uma vida digna. Enquanto houver uma má distribuição dos pesos na balança (força, inteligência e dinheiro), o Brasil está fadado ao fracasso, ou ao “será” (país do futuro, blábláblá). Esta união, contudo, deve ser feita naturalmente, sem forçar; é a tão sonhada “distribuição de renda”, que prefiro denominar de “equilíbrio”. Sem o equilíbrio, haverá inexoravelmente um lado mais favorecido que outro.
A propaganda eleitoral, como já dito, traz os candidatos como futuros messias. O erro é cair na lábia do meio-dia. Não, eles não são. São apenas pesos a mais para o complicado equilíbrio de nossa balança. Não há nenhum que anseie atingir o poder que possua as três características para exercer um papel satisfatório. Por ser reflexo de apenas uma das parcelas da população, apenas o lado para o qual a balança pender é que será favorecido. Claro, com algumas migalhas para o outro lado, pra que o cão não morda a perna do dono.
Analisando friamente, o ideal (hahaha) seria que ninguém fosse votado até o surgimento de alguém que reúna as três características. No entanto, isto nunca irá ocorrer, porque o brasileiro, ao invés de querer uma divisão igualitária, parece que aprimorou o ínsito desejo humano de auto-preservação e egoísmo, querendo tudo para si da maneira mais rápida e indolor possível, ainda que às expensas de todos os outros. E, por conseguinte, compreende-se o porquê de o brasileiro idolatrar charlatões corruptos: torce por si mesmo.
Como participantes de um sistema republicano, em que se não se elegem propostas, mas uma imagem, um “pacote”, por assim dizer, os brasileiros tendem a se identificar com os candidatos, assim como numa idolatria. Os requintes de heroísmo nas campanhas são sensacionais e o falatório quixotesco é digno de riso. Todavia, vislumbrar os candidatos como paladinos talvez seja um dos maiores erros dos brasileiros em geral. Creio que, ao se depositar as esperanças em um candidato, o brasileiro torce por si mesmo. Explico-me.
O Brasil pode ser grosseiramente dividido em três camadas:
1- A que não compreende e não tem vontade de resolver (não o verbo “mudar”, cujo toque de midas eleitoral é algo surpreendente), chamemo-la de “massa”;
2 – A que compreende alguma coisa e quer resolver, mas que não tem dinheiro para fazer coisa alguma, chamemos de “intelectuais”.
3 – A terceira, que possui o dinheiro e não quer largá-lo de maneira alguma, pouco importando a capacidade de compreensão de seus participantes, chamemos de “ricos”.
Partindo da premissa que não existem exceções a esta regra, vislumbra-se uma verdadeira “sinuca de bico”. A massa tem o numerário, a força humana, mas precisa de alguém que a guie. Os intelectuais, que possuem inteligência para tanto, não possuem os meios. Quem dispõe dos meios não quer dividir sua grande fatia do bolo. E é aí que reside o problema.
Apenas a união destes três fatores poderia levar a um governo consentâneo com os anseios individuais homogêneos por uma vida digna. Enquanto houver uma má distribuição dos pesos na balança (força, inteligência e dinheiro), o Brasil está fadado ao fracasso, ou ao “será” (país do futuro, blábláblá). Esta união, contudo, deve ser feita naturalmente, sem forçar; é a tão sonhada “distribuição de renda”, que prefiro denominar de “equilíbrio”. Sem o equilíbrio, haverá inexoravelmente um lado mais favorecido que outro.
A propaganda eleitoral, como já dito, traz os candidatos como futuros messias. O erro é cair na lábia do meio-dia. Não, eles não são. São apenas pesos a mais para o complicado equilíbrio de nossa balança. Não há nenhum que anseie atingir o poder que possua as três características para exercer um papel satisfatório. Por ser reflexo de apenas uma das parcelas da população, apenas o lado para o qual a balança pender é que será favorecido. Claro, com algumas migalhas para o outro lado, pra que o cão não morda a perna do dono.
Analisando friamente, o ideal (hahaha) seria que ninguém fosse votado até o surgimento de alguém que reúna as três características. No entanto, isto nunca irá ocorrer, porque o brasileiro, ao invés de querer uma divisão igualitária, parece que aprimorou o ínsito desejo humano de auto-preservação e egoísmo, querendo tudo para si da maneira mais rápida e indolor possível, ainda que às expensas de todos os outros. E, por conseguinte, compreende-se o porquê de o brasileiro idolatrar charlatões corruptos: torce por si mesmo.
Esqueçam, nada vai mudar porque o que está posto é exatamente o pretendido. E tudo continuará como “dantes no quartel de Abrantes”.