sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Não surgirá um Messias

É ano de eleição e, como todos (poucos) que utilizam aqueles parcos quilos de massa encefálica, pus-me a refletir sobre que resultado esta nova fanfarronice de nossa suposta democracia poderia nos trazer num futuro próximo e cheguei à conclusão: não haverá um Messias. Desistam.

Como participantes de um sistema republicano, em que se não se elegem propostas, mas uma imagem, um “pacote”, por assim dizer, os brasileiros tendem a se identificar com os candidatos, assim como numa idolatria. Os requintes de heroísmo nas campanhas são sensacionais e o falatório quixotesco é digno de riso. Todavia, vislumbrar os candidatos como paladinos talvez seja um dos maiores erros dos brasileiros em geral. Creio que, ao se depositar as esperanças em um candidato, o brasileiro torce por si mesmo. Explico-me.

O Brasil pode ser grosseiramente dividido em três camadas:
1- A que não compreende e não tem vontade de resolver (não o verbo “mudar”, cujo toque de midas eleitoral é algo surpreendente), chamemo-la de “massa”;
2 – A que compreende alguma coisa e quer resolver, mas que não tem dinheiro para fazer coisa alguma, chamemos de “intelectuais”.
3 – A terceira, que possui o dinheiro e não quer largá-lo de maneira alguma, pouco importando a capacidade de compreensão de seus participantes, chamemos de “ricos”.

Partindo da premissa que não existem exceções a esta regra, vislumbra-se uma verdadeira “sinuca de bico”. A massa tem o numerário, a força humana, mas precisa de alguém que a guie. Os intelectuais, que possuem inteligência para tanto, não possuem os meios. Quem dispõe dos meios não quer dividir sua grande fatia do bolo. E é aí que reside o problema.

Apenas a união destes três fatores poderia levar a um governo consentâneo com os anseios individuais homogêneos por uma vida digna. Enquanto houver uma má distribuição dos pesos na balança (força, inteligência e dinheiro), o Brasil está fadado ao fracasso, ou ao “será” (país do futuro, blábláblá). Esta união, contudo, deve ser feita naturalmente, sem forçar; é a tão sonhada “distribuição de renda”, que prefiro denominar de “equilíbrio”. Sem o equilíbrio, haverá inexoravelmente um lado mais favorecido que outro.

A propaganda eleitoral, como já dito, traz os candidatos como futuros messias. O erro é cair na lábia do meio-dia. Não, eles não são. São apenas pesos a mais para o complicado equilíbrio de nossa balança. Não há nenhum que anseie atingir o poder que possua as três características para exercer um papel satisfatório. Por ser reflexo de apenas uma das parcelas da população, apenas o lado para o qual a balança pender é que será favorecido. Claro, com algumas migalhas para o outro lado, pra que o cão não morda a perna do dono.

Analisando friamente, o ideal (hahaha) seria que ninguém fosse votado até o surgimento de alguém que reúna as três características. No entanto, isto nunca irá ocorrer, porque o brasileiro, ao invés de querer uma divisão igualitária, parece que aprimorou o ínsito desejo humano de auto-preservação e egoísmo, querendo tudo para si da maneira mais rápida e indolor possível, ainda que às expensas de todos os outros. E, por conseguinte, compreende-se o porquê de o brasileiro idolatrar charlatões corruptos: torce por si mesmo.
Esqueçam, nada vai mudar porque o que está posto é exatamente o pretendido. E tudo continuará como “dantes no quartel de Abrantes”.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Cochise

Inspirado por fatos ocorridos ultimamente e por uma música do Audioslave, cujo nome é “Cochise”.

Existe uma linha tênue entre o desabafo e o desaforo. Ambos possuem a mesma finalidade, mas as causas e os sentimentos que os movem são completamente diferentes. Enquanto o primeiro é um pedido de ajuda declarado, o segundo é um grito de socorro abafado. Explica-se.

Quando uma pessoa procura alguém para conversar, o faz com o intuito de retirar o “encosto” que possui de dentro de si, ou seja, jogar para fora todas as lamúrias, como se pudesse, ao menos temporariamente, fugir delas e observá-las como um terceiro imparcial, assim como o enxadrista que analisa uma partida de xadrez de outros dois jogadores que não ele. Como já dito em outro texto, encarar o problema por um prisma externo é mais cômodo e racional, ajudando em sua solução. Portanto, ao desabafar, o indivíduo retira de si o problema, julga-o e depois o traz de volta para extrair a melhor experiência possível em sua resolução.

Já o desaforado é aquele cujos problemas o vêm consumido paulatinamente. É triste ver pessoas que vivem dando desaforos a esmo, sem alvo qualquer, qual metralhadora em efeito mangueira. O maldoso, grosso, mal-educado e, por vezes, “mal-comida”, está na verdade gritando por socorro. O que não significa, contudo, que tenhamos que ajudar tal pessoa. E também não implica dizer que todo desaforo é um grito de alerta; muitos o fazem por puro sadismo. Mas deve-se analisar a “patada”, o desaforo, com cautela, sob pena de cometermos injustiças com quem, em verdade, apenas não soube se controlar.

O difícil, todavia, é agüentar ambas as situações. Auxílio nem sempre é fácil de dar. Na primeira hipótese, o ombro amigo, não dá muito trabalho, apenas tempo e paciência. Já a outra requer uma altíssima dose de tolerância, aliada a companheirismo, sem olvidar da paciência. Nem sempre é possível. Dos testes que podem existir pra qualquer relacionamento, lidar com o desaforo é um de nível difícil.

Nem sempre as pessoas são bem-sucedidas no teste e acabam podando o rosal das amizades. A culpa, no entanto, não é da parte que não soube lidar; muito menos da pessoa que possui um caos dentro de si e também não soube se controlar. Muitas vezes não há culpados. A própria busca incessante de bodes expiatórios é uma grande perda de tempo, porque em relacionamentos não existem culpados, existem divergências e incompatibilidades.

Se há uma intolerância em determinado comportamento, existe, por fim, uma incompatibilidade insanável, que ocasionará ao final na perda da relação. Se a rusga gerada pelo desaforo é superada, a relação arraiga-se cada vez mais, tornando-se inabalável.

Se se perde uma amizade por um desaforo, ambas as partes devem repensar suas atitudes: a desaforada deve cuidar do controle emocional e saber pedir ajuda; o intolerante deve aprender a ouvir os gritos da alma e ser menos egoísta.

Portanto, se der para “agüentar o tranco” – “Go on and save yourself, and take it on me”.

No entanto, se a incompatibilidade é insolúvel: “Então não me conte seus problemaaaas...”

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Uma piada de mau gosto

A Constituição Brasileira de 1988, promulgada depois de mais de duas décadas de uma era repleta de trevas, foi o resultado dos anseios, do clamor, de uma população ansiosa por liberdade e justiça, sem prejuízo de outros valores não menos importantes que compuseram o texto de nossa Carta Magna. Nesta toada, inúmeros direitos políticos foram erigidos no bojo da Constituição, dentre eles, a volta ao sufrágio universal e obrigatório.
A obrigatoriedade, contudo, ainda é passível de polêmica. Antes de tecer comentários sobre a imposição de se votar, deve-se fazer um breve desvio da linha de pensamento.

O direito ao voto, como se sabe, desdobra-se em duas vertentes: A UM, ele é um direito, pois todo cidadão (e por este, entenda-se, aquele que possui título de eleitor, não o possuidor de certidão de nascimento como, erronaemente, afirma a propaganda) possui direito de votar e ser votado, A DOIS, ele é uma obrigação, devendo o indivíduo cumprir com seu dever cívico de escolher seus governantes.
A uma análise fria, parece que o resguardo ao direito ao voto foi uma reação à negligência deste direito em momentos ditatoriais. É uma reação mais que natural, pois o ser humano reage de maneira diametralmente oposta quando livre de situações extremas. Como exemplo, podemos vislumbrar o crescimento gradativo da liberdade sexual e intelectual, culminando com a revolução cultural do fim dos anos 60 como réplica ao sofrimento da Segunda Guerra Mundial.
Sem grandes divagações, volta-se ao questionamento principal: "Por que somos obrigados a votar?". Parece um contra-senso:em toda lógica jurídica nacional não há como se impor o exercício de um direito, uma faculdade. A elevação demasiada dos direitos políticos a um grau de obrigação parece, em verdade, anti-democrático. Explica-se.
O escrutínio tem candidatos eleitos pelos partidos políticos e, de acordo com a nova legislação, é sabido que a campanha eleitoral só é viável quando tal partido possui representação no Congresso Nacional. Ou seja, é um engodo acreditar que exista candidatura com reais chances de ganho de meros desconhecidos. Sendo assim, apenas os candidatos escolhidos por uma pequena cúpula podem ser eleitos. As opções "democráticas" caem de mais de 100 milhões para alguns milhares vinculados aos partidos e com força dentro destas estruturas para ter suas candidaturas apoiadas. Por isso, questiona-se: alguém ser obrigado a escolher dentre algumas míseras opções é um instituto realmente democrático? Crê-se que não.
Aliás, o direito à escolha é uma verdadeira piada no Brasil. Não há possibilidade de decisão pelo cidadão de coisa alguma. Nossas "modernas" eleições são apenas a ponta do iceberg, uma vez que a maioria da população não possui direito a qualquer escolha. Tomando como exemplo, vê-se a escolha mercadológica: os indivíduos de classe D e E estão, em geral, adstritos às pífias possibilidades que o mercado dá, sendo tais empregos relegados aos imigrantes ilegais em países desenvolvidos. E a escolha inexiste por razões óbvias: o Brasil não valoriza a educação, mas sim iniciativas preguiçosas e populistas.
A faculdade de votar não irá resolver os problemas que existem neste país. Para resolvê-los, muito mais que uma reforma constitucional é necessária. Imperioso é sair da inércia e lutar por um país mais justo e, acima de tudo, livre. O cidadão deve ter o direito à escolha: de religião, profissão, liberdade sexual, dentre outras. Inclusive a decisão de não fazer nada e não ser punido por isso. Comparecer ao escrutínio deve ser uma atividade volitiva, isto é, que emane das nossas mais íntimas convicções, não porque um candidato deu-lhe uma cesta básica, um salário mínimo ou uma bolsa-esmola. Impressiona quão baixo é o valor do futuro de uma pessoa.
Conclui-se, na verdade, com uma indagação: será que o voto como uma obrigatoriedade surgiu de nossas convicções mais íntimas, como deveria ser, ou foi umposto para que candidatos com bons publicitários e propostas vazias e inconscientes vencessem as eleições? Não acho que o brasileiro, por ser normalmente inerte e pusilânime, tenha tido a vontade de votar tão grande ao ponto de se impor tal fardo. Parece-me uma verdadeira piada de mau gosto.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"Desconsciente coletivo"

Desconsciente coletivo


Andei um tempo pensando sobre como alguns grupos não conseguem emitir opiniões próprias sobre inúmeros assuntos. Sem querer entrar no mérito da discussão do que seria opinião, partamos da premissa que seja um juízo de valor após uma breve análise sobre determinado tema. De resto, se não houver reflexão, não é opinião, é um palpite, uma impressão.

Pois bem. Muitas vezes eu presto atenção em determinados comportamentos de algumas pessoas que denotam algumas opiniões diferenciadas. Por exemplo, e sejamos bem simplórios: pessoas que gostam de pagode, sem escutar, não gostam de rock e vice-versa. Não há coisa mais idiota que isto, mas acontece todos os dias. Poder-se-ia afirmar: “é questão de gosto”. Tudo bem, compreende-se. Ocorre que a mácula sobre a interpretação que se tem do outro pode se espalhar para além de seu gosto musical. A divergência de interesses auditivos se torna uma rusga, tachando-se comportamentos e criando nichos, guetos, totalmente doentios para a convivência. Tudo isso porque as músicas e festas que se freqüentam são diferenciadas.

Este exemplo é simples e, com a maturidade, vai se atenuando. Porém outras situações piores podem surgir. Por exemplo: em um determinado grupo social, as pessoas se relacionam entre si, como haveria de ser. Todavia, um desentendimento surge entre dois indivíduos e, de repente, todos os indivíduos vinculados a cada um dos “partidos” simplesmente deixa de se comunicar com o representante do outro, ainda que nada tenha a ver com o assunto. Este exemplo acontece sempre, não importa a idade, e é verdadeiramente patético.

É óbvio que existem pessoas que exercem influência em nossas opiniões, mas daí entregar a uma pessoa sua liberdade de pensamento? Essa confiança cega na opinião alheia pode gerar inúmeros problemas, e hoje os denominamos de preconceitos.

Nada disso é grande novidade. A criação dos preconceitos parte, muitas vezes, da incapacidade ou impossibilidade, seja ela individual, seja ela conjuntural, de se pensar. Alguns acham simplesmente mais fácil incorporar opiniões alheias sobre determinado assunto. Outros, devido a situações de penúria (é só se lembrar dos alemães na década de 30 do século passado) não conseguem criar seu próprio juízo de valor. Venhamos e convenhamos, é difícil fazê-lo com fome!

Sem querer entrar no mérito de outra discussão, creio que o preconceito vem da entrega de um dos mais importantes direitos que existem: a liberdade de pensamento. O preconceito é, por conseguinte, a escravidão da mente. Quando alguém carrega em sua mente uma opinião de outra pessoa sem ao menos colocá-la sob seu crivo, esta pessoa é escrava mental de outrem. E, quanto mais escravos mentais determinada pessoa possui, mais “influente” ela é.

Não se afirma que todos devem ter opiniões divergentes. Desta maneira sair-se-ia de nada a lugar algum. O que deveria ocorrer é a absorção de uma tese, produção de um antítese para se atingir uma síntese. Quem faz isto hoje? Quase ninguém. Numa situação como esta, o campo é fértil para o surgimento de lideranças. E, nesta conjuntura, talvez seja mais interessante rezar para que a liderança esteja de boa-fé que esperar que as pessoas deixem de ser preguiçosas e comecem a pensar, porque, meu amigo, tá difícil....

terça-feira, 29 de julho de 2008

....

Sou totalmente contra "postar" coisas dos outros....mas não tenho muito o que dizer.


Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

W.H. Auden

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Shhhh!

Certa vez eu li duas idéias que achei muito interessante e vou utilizá-las para tecer alguns comentários sobre “a verdade”.

Uma delas foi de Douglas Adams, autor do Guia do Mochileiro das Galáxias – Restaurante no fim do Universo, que dizia:

“O povo Belcerebon causava um grande ressentimento e insegurança entre as raças vizinhas por ser uma das civilizações mais desenvolvidas, iluminadas, e acima de tudo uma das mais quietas da Galáxia. Como punição para tal comportamento, que foi considerado arrogante e provocativo, um Tribunal Galáctico impôs a eles o mais cruel dentre os males sociais, a telepatia.”

O outro comentário eu não sei quem é o autor, vi num subnick de msn, dizia:

“Quando você mente ou omite você viola o direito de outra pessoa conhecer a verdade”

Inicialmente, gostaria de dizer que não concordo com este último comentário. Na realidade, creio que saber a hora de falar a verdade, a de mentir e a de omitir é uma arte que a todos deveria ser ensinada, pois muitos conflitos sociais seriam evitados. O que ocorre é que as pessoas não são iniciadas desta arte.

Imagine-se uma sociedade em que todos sabem o que todo mundo pensa, assim como o exemplo citado do povo de Belcerebron? A conseqüência no próprio livro foi desastrosa. De acordo com o autor, as pessoas gritavam o tempo inteiro sobre coisas idiotas para não ter que escutar a incessante verdade. Então, falar a verdade o tempo inteiro não é algo saudável, eu diria.

Não acredito também que as pessoas têm o direito de saber a verdade sobre tudo. Não estou fazendo apologia ao engodo, mas há situações em que é muito melhor dizer “Não deu certo” que um “você ficou gorda” ou “você prefere o futebol que a mim”. Dói menos pra quem ouve e pra quem diz.

As pessoas só devem ter o direito de ouvir a verdade quando sabê-la for, de algum modo, útil para elas. Aferir esta utilidade é que são elas...
1 – Muitas vezes as pessoas não querem escutar a verdade, ainda que seja a pergunta direta. Exemplo: Todo mundo dá bom dia ao vizinho, embora você queira matá-lo pelo barulho do dia anterior.
2 – Outras vezes dizer a verdade só vai magoar. Concordo que às vezes a verdade é dura e tem que ser dita, mas tudo tem hora. Dizer a verdade quando alguém está em crise e impossibilitada momentaneamente de sair dela é puro sadismo.
3 – Por vezes a pergunta é pura mendicância afetiva e, em que pese possa não ser mentira o que se diga, é tão artificial e não espontâneo que parece lorota. Exemplo: “Eu me sinto tão feia e rejeitada, eu sou bonita?” “É claro que é....tsc tsc”

Não creio que seja condenável a pessoa que diz a verdade espontaneamente, bruscamente, sem intenção de magoar. Execrável é o mau uso da verdade. Muitas vezes as pessoas a utilizam por pura maldade, quando omitir ou até mentir é melhor.

Defendo o poder da omissão; o poder do não dizer. A verdade só deve ser solta para o mundo quando estritamente necessária. Invertamos a ordem, ao invés de “a verdade os libertará” pensemos “eu libertarei a verdade”.

E quando libertá-la? Quando sua liberdade trouxer efeitos práticos satisfatórios. Quando maquiá-la através de mentiras? Somente e, digo, somente, quando a pessoa quiser ouvir a mentira. E quando omiti-la? Nos demais casos.

A pessoa que age assim é extremamente mais satisfeita consigo mesma. Existe uma lenda que todos a conhecem, talvez de outra maneira, que é uma divindade hindu chamada Ganesha. Ganesha, se não me engano, é um elefante e, como todo bom elefante possui incomensuráveis orelhas assim como as minhas. E uma boca pequena para o seu enorme tamanho de paquiderme. Por quê? Simplesmente porque seria muito mais interessante para as pessoas se elas falassem menos e prestassem mais atenção ao seu redor. Lembremos do exemplo do povo de Belcerebron, que era muito feliz e iluminado.

Na linha de Lao-Tsé, empurrar ou puxar com as mãos um carro em movimento é inútil; entrar nele te leva a algum lugar. O mundo tem seu fluxo; soltar a verdade quando ela é exigida do mundo é manter o carro em movimento. Liberá-la ou escondê-la no momento em que ela é exigida é como fazer morrer o carro.

Ouçam o que o mundo quer saber que saberá você também o que quer e que estas insuportáveis e desnecessárias vozes ocultam.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

"Love is in the air..."

Feliz dia dos namorados!

Achei interessante postar hoje, vez que, em 6 anos, esse é o primeiro dia dos namorados que eu não comemoro.

Antes de mais nada, gostaria de expressar minha opinião como “solteiro” que não há data que teve sua gênese mais comercial que esta. É uma época péssima para o comércio, devido a total ausência de datas comemorativas, então deslocou-se a comemoração do festejado dia de São Valentim, em fevereiro, para junho. Não questiono a ocasião, só a data que ficou muito artificial.

“Por que é dia dos namorados? Por que é.”

No entanto, não quero discutir se é a data boa para isso ou não. Eu gostaria de entender como as mesmas pessoas, em situações totalmente antagônicas, dão importância diferenciada à mesma data. Quando se está solteiro, muitas pessoas dizem que a data não tem importância, que ela é comercial (reitera-se, não a acho comercial, acho só o período meio nada a ver) enfim, “abaixo-ao-dia-dos-namorados-eu-sou-solteiro-auto-suficiente-e-muito-feliz-e-vivo-na-gandaia-e-me-divirto-sozinho.

Já os enamorados crêem que a data é linda maravilhosa, que o amor é lindo, tudo está as mil maravilhas e que essa alegria é eterna. Ah, o amor é cego, já dizia Shakespeare. E pensam, os apaixonados, que bobo é aquele que não está e que os solteiros que não têm um amor são coitadinhos, dignos de pena.... “Oh, coitadinho, está sozinho!”

Ainda há uma terceira espécie: aquele que o relacionamento vai mal das pernas. Enquanto o primeiro é indiferente ao dia dos namorados, o segundo mergulha de cabeça na comemoração, este terceiro vê a data como um tormento. “Vixe, tenho que comprar presente, é?” Quer este que a data passe logo, para que um dia, longínquo, quando deixar este de ser covarde, termine o relacionamento.

Existem outras espécies, mas as que mais me atenho são estas. Fizeram-me pensar, principalmente porque já passei pelas três situações. O que faz então uma pessoa sentir estes sentimentos? Creio que seja, no fundo, a necessidade de ser amado inerente de todo ser humano. Todos necessitam ser amados, queridos, desejados.

A demonstração de indiferença é na verdade uma negação da sensação de rejeição. Por isso o solteiro convicto busca um pouquinho de amor em cada lábio que beija, e cada corpo é uma pequena cópia, uma pílula de ecstasy, que lhe dá satisfação momentânea, mas que no fundo só te enganou. Engana-se aquele que fundamenta sua vida na incessante busca de bonecas infláveis interativas, em que pese um pouquinho de “sacanagem” seja bastante interessante de tempos em tempos.

O cego é o que é digno de pena, pois ele se afunda num abismo cada vez maior. A tendência é que aquilo um dia acabe. A chance de durar pra sempre é raríssima, todo mundo sabe disso. É óbvio que vale a pena tentar, mas sentir dó dos outros porque eles não se chafurdam no charco da paixão com você? Acho que mais que cego, a paixão, não o amor - porque este é lúcido-, sofreu uma lobotomia digna de atendentes de telemarketing. E jogar a corda pra retirar a outra pessoa lá do poço é tarefa árdua, creio que saibam.
O terceiro é um coitadinho também. Sair de uma situação dessas requer coragem, é verdade, mas, acima de tudo, requer lucidez. Não entendo como nós seres humanos somos capazes de continuar gostando de quem nos faz mal. É uma tendência masoquista inegável e inexplicável. Dou aos parabéns a quem consegue sair e tenho pena daqueles que estão nessa situação; tento sempre dar cordas para saírem do poço, uma vez que estão sozinhos e presos lá dentro.

É natural que todos já tenham passado por isso. Quem ler isto, espero que reflita. O dia dos namorados, assim como qualquer data comemorativa, é na verdade um lembrete para se entender o significado de muitas das relações humanas: família, amigos, profissão, espiritualidade, dentre outros aspectos.

O dia dos namorados é, de maneira bem clichê, todos os dias. Sempre que puderem amem, não só a namorada, mas a mãe, o pai, os irmãos, os primos, os amigos, enfim, todos aqueles que merecem um lugarzinho na sua mente.

E viva o dia do amor!