terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Porra de fitinha...

Saudações aos corajosos! (desisti de tentar descobrir em qual período vocês lêem esse blog. Com certeza um período desocupado dos seus dias)

Desta vez eu passei pouco tempo até vir aqui novamente. Costumo demorar 15 dias pra fazer um texto que eu creia digno de se tornar público. Aqui vou eu com mais auto-exigências...

Reclamaram-me nos últimos dias da extensão dos meus textos. Falaram que são grandes demais e que dão preguiça de ler. Concordo. Quem lê 40,50,60 linhas sobre a visão de mundo de outra pessoa sem ganhar por isso? É necessário coragem. No entanto, sou uma pessoa naturalmente prolixa e ponderada, por isso penso e escrevo em demasia. Não vou mudar minha escrita para deixá-la mais agradável ao público. Serei fiel a mim mesmo e continuarei a ser prolixo.

Semana passada fiquei devendo algo sobre moda e inversões da moral. Antes de mais nada, leia-se Zeca Baleiro:

"Quando o homem inventou a roda
logo Deus inventou o freio,
um dia, um feio inventou a moda,
e toda roda amou o feio"

Não questiono a moda no sentido de vestuário. Sobre as tendências de guarda-roupa, vejam “O diabo veste Prada”, que não é um filme genial, nem hilário, mas faz com que pensemos um pouco sobre os dois lados da moeda, isto é, de quem não gosta de moda e de quem vive disso.

Falo sobre modas morais. Eu as acho irritantes. Porque creio que toda moda é uma espécie de inversão da moral ou daquilo que é natural.

Tomemos como exemplo o cristianismo e o Império Romano. Surgiu como uma religião em que “todos seriam iguais” e como um “judaísmo light”. Moda que começou a ser incorporada pela população romana, até que tornou-se regra. E não há que se dizer que o cristianismo não era uma moda que pegou. Uma minoria se insurge contra uma maioria, que, por sua vez, já era outra minoria de uma maioria ainda mais arrebatadora, invertendo toda a lógica, em prol do “amor ao próximo”. Eu diria mantença social, fim do caos. O cristianismo caiu como uma luva, pois tornava o fraco forte e fazia com que este também pudesse ser alguém, mesmo que não neste mundo. Assim evitava-se conflitos de maneira lógica. Não vou discorrer sobre o cristianismo, é perda de tempo. Só quero dizer uma espécie de moda, que inverteu a moral. Só que essa é uma inversão lógica.

O que me deixa irritado são inversões sem lógica alguma, ou o que é pior, com lógica baseada em argumentos ditos irrefutáveis, mas que pra mim são tão duvidosos quanto as razões que fizeram Bush destronar Saddam. Venho aqui “chiar” contra o vegetarianismo. Todos sabem que é moda ser vegetariano. É legal poupar os bichinhos, se for levado bem a sério pode se ter uma vida saudável...até aí não há problema algum.

O que irrita mesmo é que ser vegetariano significa ser um mártir neste momento. Um paladino, defensor dos fracos e oprimidos bichinhos que não podem se defender contra a má raça humana. E o pior, caso você não se enquadre nos ideais por ele propostos, você é que é o estranho, o mal a ser combatido. Tornou-se quase uma religião para alguns, devendo haver uma nova catequização dos pagãos carnívoros. E o que resta para os que resistem? A fogueira social.

Eu sempre achei que o vegetarianismo era uma moda inofensiva, assim como o cristianismo que eu citei anteriormente, que iniciou como uma moda útil e inofensiva (os rumos deste na Idade Média eu não quero nem dizer...). Mas o preconceito com o qual os vegetarianos tratam o assunto, o radicalismo, é digno de qualquer ditador sanguinário.

Vivenciei “na pele” tal preconceito quando fui perguntado sobre um pequeno “V”, em forma de duas folhinhas cruzadas, que se põe no canto inferior da foto do orkut, como uma suástica do reino metáfita. Indagaram-me se eu poria tal desenho na foto, porque, em uma determinada época de minha vida, tentei vivenciar o vegetarianismo, mas não gostei. Essa pessoa, que não sabia que eu não era mais vegetariano, pediu que eu pusesse a maldita folhinha. Eu falei que não colocaria porque não era mais vegetariano, em que pese eu simpatizasse com a causa. A pessoa me tratou estranho no dia e não fala comigo tem um bom tempo...

E não é só a suástica vegetal. Inúmeras estatísticas querem se aproveitar do maior problema do mundo atualmente, que é o aquecimento global, e colocar a culpa na carne que se come. Todo mundo já está careca de saber que a culpa do mar comer a orla é da queima de combustíveis fósseis. E não vou dar uma de Al Gore. Todos já sabem. Só que muitos “institutos” colocam a “indústria do mal da produção de carne para consumo humano” como co-responsável do aquecimento global, para dar robustez a essa cruzada do bem X mal.

Creio que os ideais humanitários do início da cruzada se foram. Não há mais humanismo. Tornou-se uma guerra, uma competição velada entre aqueles que comem carne, que cada vez perdem mais adeptos, contra os “comedores de alface” (é pejorativo, eu sei, não estou aqui para ser politicamente correto), que vão aumentando seu exército folhoso a cada dia.

Não questiono que lado está certo, até creio que ser vegetariano é mais politicamente correto. Só acho equivocado e irritante duas coisas, em suma:

1) O preconceito contra aqueles que não são vegetarianos, excluindo nós carnívoros, porque adoramos orgias de luxúria e prazeres da carne; (vulgos churrascões de domingo)

2) A subversão de verdades (aquecimento global – combustíveis fósseis) para dar força à causa, à semelhança de grandes ditaduras. Cria-se um vilão, que deve ser combatido. Como angariar tropas? Mente-se, ou melhor, maquia-se a verdade.

Por fim, lembro de um episódio de Seinfeld, que se passava no dia 01/12, sobre o dia mundial de combate à AIDS. Deve-se lembrar que, à época da transmissão do episódio, a AIDS era um medo assombroso, pois o caos tinha estourado no início da década de 1990, com a morte de algumas celebridades em decorrência da doença (Freddie Mercury, por exemplo).

No episódio ocorria uma passeata em apoio ao combate da AIDS. E um personagem meio maluco, Kramer, apóia integralmente a causa. Só que, ao chegar na passeata, eles o obrigam a usar uma fitinha vermelha, símbolo mundial de combate à AIDS. Kramer, contudo, reluta e não quer pôr a fita. Eles insistem. Kramer não põe. A partir desse momento, ele sofre o maior preconceito e, se não me engano, é expulso da passeata porque não quer usar a fitinha. Não há falta de respeito maior.

O que essa passeata me lembra? O movimento vegetariano. Apóia-se, mesmo que você não seja, uma parcela oprimida do mundo (nesse caso os bichinhos). O que essa passeata também me lembra? Uma parada militar alemã de 1938. A suástica de Hitler, a fitinha da AIDS, a suástica folhosa. Tudo pra mim é símbolo da mesma coisa. Imposição de valores.

Claro que se pode dizer: mas os fins são outros...são fins de proteção. Os fins de Hitler eram de destruição. É óbvio. Mas nessa lógica maquiavélica subvertida (porque Maquiavel nunca disse “os fins justificam os meios”) os fins tornaram-se tão importantes que pouco interessa quão imorais sejam os meios. E os meios têm sido mentiras e preconceito.

Em suma...não vou amar o feio, nem pôr a fitinha. Sou fraco e quero um espetinho misto, por favor.

Bjs pros corajosos (carnívoros e vegetarianos!)


PS: Menção honrosa a meu amigo Gilson, que me relmebrou o episódio de Seinfeld e já discutiu comigo esse tema.