segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Copo meio-cheio

Bom dia aos corajosos!


Eis aqui mais uma compilação de besteiras que farão alguns pensarem por breves momentos em suas próprias vidas, depois de lembrarem que possuem algo mais interessante a fazer.


Fim-de-semana do maior marasmo possível. Digamos que o ponto alto tenha sido uma música extremamente bizarra que era mais ou menos assim “Nega quer, nega não, nega quer, nega...” e por aí vai.


Em compensação o marasmo me faz pensar em algumas coisas. Já diziam “mente ociosa, oficina do diabo”. Não tenho algum pensamento maléfico, mas talvez e, como sempre, crítico demais.


Primeiramente, tentarei resumir em algumas linhas sobre as dicotomias felicidade-infelicidade e tristeza-alegria.


Não quero ser um criador de conceitos universais, apenas tento retratar algumas experiências engraçadas pelas quais passo.


Eu sempre li livros de budismo e aqueles que me conhecem sabem que eu tenho uma forte inclinação por tal doutrina. Comecei a ler por motivos que não vêm ao caso, mas alguns princípios que a religião de Sidarta Gautama traz são bem interessantes. Um deles é sobre a questão da felicidade.


O que seria felicidade, a princípio? Talvez seja uma das perguntas mais difíceis da vida. Porque todos os seres humanos, a princípio, sempre a colocam como objetivo maior, como um sonho. “Qual é o seu maior sonho?” E respondem sempre algo que, indiretamente, lhe traria felicidade, sendo esta, em última instância, o objetivo-maior.


Discordo deste posicionamento que põe a felicidade como algo que se deve buscar. A felicidade não se busca, se trilha. Ela é um caminho para a satisfação pessoal, algo que, a meu sentir, é mais profundo que esta palavra. A pessoa feliz é aquela que costumam chamar de “alto-astral”, “de bem com a vida”, dentre outros nomes. Pra mim, ela é simplesmente feliz.


Para entender melhor o conceito, eu gosto de, por vezes,utilizar-me da antítese para compreender a tese. O inverso de feliz, ao contrário do que os outros pensam, é a infelicidade, não a tristeza. A tristeza, a meu pensar, é o contrário de alegria, que é um estado de prazer transitório.


Em suma, para não divagar muito, creio que a língua portuguesa me auxiliará bem nessa explicação. A distinção entre os verbos ser e estar são essenciais nestes casos.


A pessoa é feliz ou infeliz.

O indivíduo está alegre ou triste.


Não há muito que explicar aí. Se alguém afirma que está feliz atualmente, significa que sua felicidade é frágil. Não afirmo que as pessoas devem ser “Polianas”, ficando alegres com qualquer situação. Se algo lhe fizer mal, estoure, com gosto. É bem melhor. Não se deve reprimir os desejos internos, exceto alguns essenciais para a convivência social saudável.


A felicidade é um sentimento consciente de que a vida é “mais pra boa que pra ruim”. É ver sempre o copo meio cheio. O caminho da felicidade (e não o caminho para a felicidade, porque este não existe) é simples, prazeroso, satisfatório. O caminho da infelicidade é desequilibrado, inconstante, fraco e sombrio.


E a felicidade, ao contrário do que se pode pensar, não é feita de alegrias, mas de um equilíbrio saudável entre alegrias e tristezas. Porque o corpo precisa de alegrias, de satisfação, analisando por uma perspectiva bem hedonista mesmo. Mas a mente precisa de tristezas para se conhecer melhor. Porque creio que, assim como dizia Marcel Proust, que nós só nos conhecemos nos anos tristes, pois é nesses que paramos pra pensar em quem realmente somos. E só se atinge alegrias fazendo o que nossa personalidade pede, personalidade esta só conhecida nos períodos de tristeza. E neste equilíbrio saudável entre alegrias e tristezas pode-se atingir a satisfação pessoal. Este equilíbrio chamo de felicidade.

Parece fácil, mas não é. Não é mesmo. Mas, dos conceitos que já utilizei até hoje, tornar-se escravo do seu arquétipo, travando a personalidade, torna-se impossível trilhar o caminho da felicidade.

Para aqueles que entendem um pouco de filosofia, a infelicidade assemelha-se muito àquele niilismo desvirtuado suicida de todo garoto de 18 anos que lê Nietszche (é assim que escreve?). E para aqueles que não entendem, é um desequilíbrio de todos estes pesos que influenciam na balança.

O mais curioso, no entanto, é questionar alguma pessoa “noiada” (vide conceito nóia) se esta é feliz ou não. É tragicômico, diria.

Não vou me estender muito desta vez. Gostaria de falar sobre o conceito de “obrigação implícita”,mas deixo este pra depois.

Beijos e abraços pros corajosos!

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