Bom dia a todos os corajosos que continuam insistindo em ler isso aqui!
Aqui em Aracaju houve uma festa muito conhecida chamada “Odonto Fantasy”. É uma enorme festa a fantasia, que, se não me engano, já entrou até pro livro dos recordes.
Acho curioso como uma simples festa à fantasia faz com que as pessoas se modifiquem,ou melhor, se revelem. Alguns realmente vão à festa simplesmente pra se divertir com os shows, ficar com um monte de gente, enfim, extravasar os instintos primatas que todos nós temos. Atabaques e Sexo. E antes que os pseudo-puritanos se pronunciem e digam: “não penso em sexo!”, já venho aqui explicando-me: Todos pensam nisso, mesmo que inconscientemente (alguns conscientemente). Quando uma pessoa fica com outra, acha outra atraente, significa que acha que esta pessoa seria uma boa parceira sexual, e, no fundo, uma boa esposa (marido).
Mas quanto às pessoas normais, que vão apenas pra curtir a festa, nada a falar. É normal, por mais primitivo que seja. Afinal, fui também com esses propósitos. Devemos reconhecer nossas limitações e achamos um monte de batuques sincronizados de forma harmônica e brincar de procriar a espécie duas das melhores coisas que existem. Ainda bem!
Minha acidez direcionada dessa vez vai àquelas pessoas que se travestem pra ser aquilo que não são, mesmo que por algumas horas. Curioso como o mundo está mais repleto de “drag queens” do que se pensa. E não “drag queens” no sentido homossexual do assunto, mas travestis de todos os tipos. Pra muitas pessoas, a festa só tem graça quando se gasta uma tonelada de dinheiro na fantasia para poder brincar daquilo que não se é. Para estes, ir fantasiado de B.O.P.E, só para parecer legal, como choveu esse ano lá na festa, não tem graça. Esses “travestis da vida” têm que ser únicos, chamativos, criativos, originais, enfim, têm que chamar a atenção de qualquer maneira.
Acho fraqueza de espírito, ou falta de imposição pessoal aqueles que colocam nas fantasias seus desejos reprimidos. Busquem um psicólogo, não uma fantasia. Assim como uma droga, travestir-se é uma fuga daquilo que você realmente é (e como toda droga, não resolve o problema e vicia). E, em certo patamar, todos aqueles que vão à festa buscam isso. Porque ser quem você é o tempo inteiro é chato. Aliás ser, quem você criou pra ser é chato, pois bom mesmo é ser quem você é. Mas o medo de que não amem quem você é o transforma num chato. E, num local onde ninguém irá te julgar pelo que você faz ou fez, é o ambiente perfeito pra as pessoas deixarem seu “eu interior” sair e fazer o que bem entende.
Cansei de escutar pessoas dizendo “Nessa odonto eu vou aloprar.”. Nada contra você querer aloprar, só é bom que as pessoas tenham consciência do que estão fazendo. A repressão medrosa (não a consciente, necessária para a convivência humana) é nociva, pois faz com que as pessoas tomem decisões que realmente não querem tomar ou que deixem de agir como realmente querem agir. Por essas razões as pessoas casam com outras sem querer, têm filho sem querer, enfim, fazem merda.
Divaguei um pouco, é verdade. Voltando aos “travestis da vida”. Estas pessoas são repletas de medo, mais que o normal, e acabam por não viver como queriam. Na verdade, querer já é uma experiência um pouco “apimentada” pra estas pessoas. Elas não estão acostumadas a querer. Infelizes estas pessoas, enfim, porquanto reprimem o seu verdadeiro “eu” que, por mais feio que pareça, é o que deve ser mostrado para que a pessoa possa ser amada de verdade e enfim, ser feliz.
E assim venho com mais um conceito de pseudo-psicologia:
Personalidade X Arquétipos
Personalidade – É aquilo que você realmente é. Os psicólogos adoram conceituar essas coisas. Eu também. Não há muita digressão aí não. É aquilo que você é, que às vezes nem sabe que é. Onde moram seus desejos, seus medos, enfim, tudo que forma você como pessoa. É seu núcleo.
Arquétipos – São cópias distorcidas e aumentadas de seu “eu interior”. Existem vários arquétipos, mas eu poderia resumir em 3 tipos:
Arquétipo Máscara – Aquilo que você coloca como imagem para as outras pessoas;
Arquétipo Espelho – Como as outras pessoas te vêem;
Arquétipo Intérprete – Como você acha que as outras pessoas te vêem.
Todos estes arquétipos carregam um pouco da personalidade da pessoa. No entanto, vamos modificando-o de acordo com a nossa interpretação da realidade, aliada as nossas reações que temos quando passamos por algum tipo de pressão ou situação memorável. Se a pessoa vive numa família na qual sexo é tabu, a pessoa pode desenvolver inúmeras reações (e cada reação pode criar uma máscara diferente), dentre elas:
1 – Tratar o sexo realmente como tabu;
2 – Fingir que trata o sexo como tabu, fingir-se de santo, e fazer do mesmo jeito;
3 – Renegar tudo que foi dito e banalizar o sexo.
Voltando às descrições, o primeiro arquétipo que criamos é a máscara, que é como achamos que as pessoas vão gostar de nós. Ledo engano. Só se gosta realmente de alguém quando se conhece por trás da máscara.
O problema é o arquétipo espelho, que é criado independentemente de nossa vontade. As pessoas utilizam “óculos da realidade” (conceito discutido posteriormente) e interpretam de forma errônea a máscara. Mesmo porque a máscara é artificial, é forçada. Então ela sempre chega de forma distorcida ao outro. E quando o ser humano percebe que a máscara não é muito bem recepcionada, cria o arquétipo intérprete.
Uma frase que poderia resumir bem o arquétipo intérprete seria “A emenda sai pior que o soneto”. Uma vez que a máscara não é bem recepcionada, o intérprete absorve as interpretações do espelho, e modifica a máscara. Essa modificação vai deixando a máscara mais distante da personalidade e, por conseguinte, deixando a pessoa mais longe de seus desejos e, portanto, infeliz. Mas a vontade que é inerente a todos de agradar acaba por vencer a personalidade dos fracos de espírito.
Ser fraco não é ruim, não é um defeito, é uma característica. Pena quem é assim. :P
Enfim: cuidado. Os arquétipos são necessários em determinadas ocasiões. Quando sabemos, temos consciência de quem nós somos, de nossa personalidade e sabemos que, em determinadas ocasiões, ela não seria bem recebida. No entanto, só se deve pôr máscaras quando se sabe que se está pondo-as.
E voltando aos “travestis da vida”, eles são na verdade o “grito do eu interno”, o pedido de libertação.
Falaria sobre felicidade-infelicidade e alegria-tristeza hoje, mas já me estendi demais.
Bjs pros corajosos!
2 comentários:
Happy Halloween!
É interessante a necessidade que você tem de conceituar e classificar as coisas, é inteligente, mas vc sabe, eu sou do contra e não concordo com metade disso! kkkkk
Mas ainda gosto muito de você.
;***
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