sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Post bem metido o de hoje. Quem não tem paciência, nem leia.

“Volto ao jardim, com a certeza que devo chorar...”

Não, não estou triste não. E nem sou tão fã do Cartola assim não, só coloquei isso porque foi a primeira música decente que me veio à cabeça com o verbo voltar.

16 dias se passaram do último post. E posso dizer que foram 16 dias intensos.

Não vivi perigosamente, não “curti a vida adoidado”. Apenas foram 16 dias importantes.

Importantes por motivos que só dizem respeito a mim. Mas as conclusões nas quais chego são curiosas, e acho que podem despertar a curiosidade de algumas pessoas.

Costumo utilizar demasiadamente algumas palavras. Quem convive comigo conhece o meu vício (ou utilização exagerada da função fática) representada pela pergunta: “Entendeu?”. Parece que passo a vida me explicando. E costumo ser indagado por isso: “Por que você se explica tanto?”

A algumas conclusões eu cheguei...A outra me levaram. Ainda não sei ao certo, mas ei-las:

1 – Sinto-me encurralado pelo julgamento das pessoas, por isso me justifico;

2 – Como eu nunca seria real (sincero, verdadeiro) para ninguém, teria a imensa necessidade de que minha história “colasse”;

3 – Sinto-me pressionado por necessidade de atenção e por isso, preciso que as pessoas acompanhem-me em meu ponto de vista;

4 – Como me utilizo da maiêutica, a compreensão de uma premissa é importante para encurralar o interlocutor na próxima.

Duas considerações a serem feitas: A um, o futuro do pretérito foi bem colocado. A dois, eu gosto do número 4. :)


Outra palavra que uso demais é “Surreal”. Quando alguma coisa foge da normalidade (what’s normal, anyway?...), costumo falar: “Meu Deus, isso é surreal.” E costumo dizer isso de maneira crítica. Abrindo um parêntese, quem me conhece também sabe que minha acidez pode ser hilariante ou ridícula. Depende da minha intenção.

Mas quanto ao surrealismo da vida... não a utilizo num sentido vanguardista, ou sentido clássico...tenho meu próprio conceito de surrealismo, que eu prefiro chamar de Surrealidade, e aí vem o primeiro pseudo-conceito de qualquer coisa do dia:


Surrealidade – É tudo aquilo, que, fugindo da normalidade, você desejava que não fosse real, que fosse algo distorcido da mente de alguém e que dela não deveria ter saído. É surreal aquilo que você queria que não fosse real, mas é. Não é o inacreditável por ser absurdo, é o incrível por ser absurdamente ridículo. Quem já me viu utilizar sabe exatamente o que quero dizer.

O surreal é o desinteressante e irritante, embora peculiar. Quem está familiarizado com o estilo de arte conhece as formas bizarras utilizadas, fruto de uma noite mal dormida, uma indigestão de Morfeu.

Se fosse interessante, utilizar-me-ia de qualquer adjetivo, menos um que me lembrasse formas bizarras de arte.

No entanto, estas formas bizarras são essenciais. Saber o que é anormal nos traz ciência do que é normal. Tendo consciência do normal, pode-se correr livremente para tentar ser criativo...que é o contrário do “surreal”. O Surreal é a forma distorcida, o aborto do criativo.

Embora eu tenho execrado o surreal, não posso deixar de dá-lo algum crédito, afinal, nada na vida possui só reveses. Deve-se louvar a tentativa, mesmo que errada, de ser criativo. Afinal, ser criativo é algo muito complicado. Se fosse fácil, não existiriam tantas cópias no mundo, em todos os aspectos. O surreal tem boas intenções. Agora de boas intenções o inferno está cheio. :P

Utilizei a palavra decente no início. Também não quis usá-la no sentido de que o que me vinha à cabeça era “putaria”. Não, não era. Indecente não é só aquilo relacionado a sexo depravado. Não e não. Mais um conceito, antes de deixá-los em paz:

Decente-Indecente – Desculpem-me os de gosto deplorável, mas bom gosto é fundamental. Utilizo a palavra decente (e sua antítese, indecente), no sentido de qualificar aquilo que é bom ou não é. Perguntar-se-ia: “quem é você pra julgar?”. Sou alguém que creio ter bom gosto, não importa quão metido isso “soe”.

Decente é aquilo que é bom depois de passar pelo crivo de uma opinião abalizada. Não falo de críticos de cinema, mas de opiniões com o mínimo de esclarecimento. Exemplos, exemplos, para facilitar:

Alguém vira pra você e fala que gostou de determinado filme. Por exemplo: “Pequena Miss Sunshine”. E você, na sua curiosidade impetuosa, acaba por perguntar: “Qual parte você achou mais legal?” E o indivíduo responde: “Da parte em que eles correm atrás da Kombi”.

Bem, a parte que eles correm atrás da Kombi é hilária, sem dúvida. Mas se a pessoa gostou somente dessa parte, e você a pergunta sobre os pensamentos de Marcel Proust, ou sobre os valores de família, ou o fato dos freios morais que nos prendem a coisas banais e ela responde: “legal isso”, sem saber o que comentar, a pessoa não gostou realmente do filme, gostou das piadas dele. Se não fossem as piadas, ela iria detestá-lo.

Em suma, decente é o bom para pessoas de gosto refinado. (não que eu seja o cara mais “cult” do mundo, sou na verdade um grande P.I.M.B.A.)

O que não impede que eu goste de muita coisa tosca. Mas é preciso adoçar a vida também, né?

Chega de amargor e críticas! Post carregado esse.

O que importa é ser feliz, em que pese existam coisas tristes na vida. A infelicidade é um mal que deve ser expurgado e a felicidade é a cura. :) (reflexões sobre felicidade no próximo post)

Bjs e abraços a todos os corajosos que chegaram até aqui.

Um comentário:

Aldo disse...

U HU!
No coments...

ahh se aparecer com o nome de meu irmão novamente saibam q seu eu Aldo.