quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Quanto custa um sorriso?

Por que todo sergipano é grosso? Todo não, é verdade, há muitas pessoas que não são.

Porém na verdade, quem conhece os sergipanos sabe da imensurável grosseria e falta de educação que só eles podem te proporcionar. Por exemplo: vocês já tentaram ir a uma loja pra comprar algo? Parece que é obrigação do comprador já saber o que quer, o tamanho, a cor, o modelo, tudo. E pedir uma informação? Outro calvário. Se palavras tivessem peso, seria como receber halteres de 10kg em cada lado no meio do rosto.

Os vendedores tratam os compradores com um desdém absurdo, ninguém quer te dar uma informação, o garçom é deveras incompetente e nós devemos ainda respeitá-lo sob pena de recebermos comida cuspida. Mas será que a grosseria estaria arraigada nos genes dos sergipanos, ou é gerada pelas condições que se tem?

Em outros lugares do Brasil, como Salvador por exemplo, as pessoas pelo menos fingem ser educadas, efusivas. Você se sente necessário na loja, no ambiente, acaba comprando mais, consumindo mais, e acaba voltando.

Não sou nenhum Sérgio Buarque de Hollanda, mas deve ser uma união dos dois fatores. Realmente, o salário que recebem estes funcionários é horrível. Mas isso não justifica. Em vários lugares, como Salvador, citado anteriormente, essa endemia não existe, ou pelo menos é maquiada. Deve ser algo mais arraigado, tanto à cultura sergipana, quanto à própria genética.

O povo sergipano, em sua maioria, é composto de sertanejos (no interior), ribeirinhos (no estuário do São Francisco) e na capital, temos uma miscelânea de ambos, com alguns vindos de outros Estados. Mas, em suma, somos um Estado recém-urbanizado.

E não é segredo pra ninguém que os interioranos são mais rudes, o que não é ruim na lógica deles, claro. Contudo, espera-se que, ao viver em ambientes diferentes, as coisas se amoldem à lógica inerente destas. E a lógica das cidades é diferente.

Aracaju é a única capital que conheço com cara de interior. Tudo é perto, todos se conhecem, falam mal uns dos outros, agem de maneira exibida e preocupada com a opinião alheia e, sobretudo, são rudes. E é essa característica que trava o desenvolvimento dessa cidade. Se alguém quer crescer, tem que sair daqui.

O ambiente exclui os diferentes, porque os seres humanos são grandes fascistas, na verdade. Só querem viver com quem é parecido. O que é normal, claro. Aracaju é uma cidade com alma de engenho. A 13 de Julho é a casa grande e a Piabeta é a senzala. Não é preconceito, é uma constatação apenas. Não há melhores ou piores, são todos iguais.

E nesse ambiente de pessoas recém-urbanizadas, não há capacidade ainda para agir civilizadamente. Aliás, no Brasil isso é raro, uma vez que nosso povo saltou da barbárie para a decadência sem passar pelo estágio civilizatório.(Luís Fernando Veríssimo)

Nesse lugar decadente, em que o carro-de-bois virou o Honda Civic, grita-se por nada. Não há sequer cordialidade, como diria o finado Sérgio Buarque. E essa falta de cordialidade, este pensamento pequeno atravanca o crescimento. Como? Quem vem de fora, é maltratado. O turista sente-se como um intruso na capitania de Sergipe. E, há que se dizer, não é culpa do local. Nosso estado é bonito, como todo o Brasil. Só que o que vive aqui o torna feio.

Não só o turismo. Isso é só um exemplo. O pensamento rudimentar faz com que as pessoas pensem de maneira pequena também. Pra quê crescer? Não há utilidade, pois se tem um apartamento de 3 quartos, um carro na porta e contas pra pagar. No interior, tem-se uma casa de taipa, um boizinho e uma conta pendurada na bodega da esquina...

Creio, na verdade também, que haja um problema de comunicação. E a comunicação, transmissão da linguagem, é essencial para a evolução de uma sociedade. Pessoas taciturnas nada dizem. E não é que não existe conteúdo. Ele existe, os indivíduos são de uma riqueza imensurável. “Cada cabeça é um mundo”, dizem.

Mas, como os caranguejos tão tradicionais daqui, tem que se quebrar a casca pra extrair algo. Como ninguém tem paciência pra extrair as cascas de todo mundo, vive-se na superficialidade. E tal superficialidade é demasiado perigosa para uma sociedade que quer evoluir. Tal perigo, no entanto, não existe para os sergipanos, que ainda estão com a cabeça no engenho. E é por isso, por exemplo, que nosso jornalismo é risível, facilmente influenciado por grupos políticos. E quanto à fraqueza do jornalismo, o 4º poder, falar-se-á depois.

É contra essa grosseria que se insurge aqui. Papo de um inconformado com grosseria gratuita. Afinal, quanto custa um sorriso? Todavia, como afirmado, no fascismo sergipano, os incomodados que se mudem, ou se moldem, claro. Regridam caso queiram ser senhores do canal ou mucamas, vivendo na Taiçoca. Ou saiam da caverna e fujam para a civilização.

8 comentários:

Unknown disse...

Mais uma vez eu venho aqui discordar! kkkkkkkkk
Não concordo que seja uma endemia, por onde andei tive pessoas simpáticas me atendendo, dei sorte? Ou simpatia se compra com simpatia? Qualquer lugar que vc analise vai encontrar todo tipo de gente e na maioria das vezes o comportamento vai depender muito do seu, ninguém consegue tratar simpatia com mau humor ou desdém, já tentou?
Concordo quer talvez, os baixos salários influenciem o atendimento de outros, mas não acho que isso se configure numa formula geral..
Também discordo que os interioranos são mais rudes(se usou rude no sentido de mau educado), eles sao, na minha humildeconcepção, somente mais simple, os que eu conheço são mais engraçados e atenciosos, sempre preocupados em alimentar as visitas ate "a tampa" kkkkkk Enfim, discordo desta tal endemia por vc citada, não acho que se posso generalizar assim em nenhum povo e nenhuma cultura, Sergipano no geral, não é nenhum poço de educação, é fato!
Mas esse tom definitivo e incisivo com o qual você trata TODOS os assuntos aqui explanados é o que me dá supedâneo pra te chamar de exaltado! kkkkkkkkk
Bjos Rafa.

Unknown disse...

*mal(também nãosou tão analfabeta assim) kkkk

Unknown disse...

ahh, só pra responder sua pergunta, eu sempre consegui comprar sorrisos sorrindo, SEMPRE!

Letícia disse...

olhe, vou ter que discordar com a talita (mto prazer talita), pois eu muitas vezes sorri para as pessoas na rua e levei 'tôco'..
os sorrisos aracajuanos andam cada vez mais raros e caros..
mas o meu é facin facinn, eu juro.

bjo

Talita disse...

Tá bom, eu sou sortuda então.
Vamos testar, para vcs:
:)
kkkkkkkkkk
Beijosss

Letícia disse...

=]

Alice Correia. disse...

concordo, mas acho que o problema do aracajuano tá no ego inflado. como te disse, eles acham que ter um honda civic e um apê de três quartso é a maior riqueza do mundo, e por isso pisar nos outros!

Aldo Rodrigues disse...

dandara falou uma coisa certa que já venho pensando a um tempinho.. e qual é desse povo (brasileiro, não só aracaju) que tem q ter um carro na porta de sua casa pra poder se dizer q tem alguma coisa na vida...
eu aprendi por experiência própria que dificilmente vc pode ser bem atendido se vc não dá um sorriso, mas ao contrário se vc entra alegre e é um pouco cortês (utilizei essa palavra na falta da memória de outra) com o atendente visivelmente se ve a modificação na sua façe e ele vai agir diferente com vc. claro isso não vale para todos...